quinta-feira, outubro 30, 2014


Aloysio Nunes e a vergonha do passado esquerdista

0

Aloysio Nunes, vice de Aécio Neves, participou da oposição armada pela ALN e do assalto ao trem pagador. Hoje, considera tudo um erro,

aloysio nunes esquerda passado
Senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), um ex-esquerdista (divulgação)
Em seu site pessoal, o candidato a vice na chapa de Aécio Neves, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), resume em pouco mais de dez palavras o que foi boa parte da sua militância e principalmente os cinco anos de luta armada contra a ditadura militar pela Ação Libertadora Nacional (ALN), uma das organizações de guerrilha mais estruturadas na época do regime: “Por conta de ações contra a ditadura militar, precisou sair do Brasil”, diz o texto na seção “biografia” do tucano sobre o período de 1963 a 1968, antes do exílio na França. A razão pelo pouco destaque à própria história não é segredo. O tucano acha que sua postura naquele período foi um erro.
Quase 30 anos depois do fim da ditadura militar, Aloysio Nunes vai disputar uma eleição presidencial justamente contra uma ex-companheira de luta. Assim como o senador tucano, a presidenta Dilma Rousseff participou da resistência à ditadura, mas por uma organização chamada Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Os pontos em comum entre os dois param por aí. Apesar de terem lutado pelo mesmo objetivo, Aloysio e Dilma trilharam caminhos diferentes.
O senador conheceu os seus primeiros companheiros de luta quando foi presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP). Durante esse período, ele era filiado ao Partido Comunista Brasileiro. Mas foi na ALN, liderada por Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, que ele ganhou importância na luta armada.
A militante Iara Xavier Pereira foi uma das pessoas que militou ao lado de Marighella na ALN. Irmã de Iuri Xavier – um dos líderes da organização que foi assassinado em 1972, Iara relembra o “apreço” com que Marighella falava de Aloysio Nunes. “Ele [Marighella] tinha uma confiança muito grande no Aloysio. Era muito bem quisto por ele. Falava muito bem do senador, que já era muito culto”, relembra ela.
Marighella e Aloysio atuavam muito próximos, entre outras coisas, porque o comunista não sabia dirigir e o senador ficava responsável pelo transporte do líder. De acordo com o biógrafo de Marighella, o jornalista Mário Magalhães, era com Aloysio que Marighella viajava, por exemplo, “quando soube que o congresso da União Nacional dos Estudantes havia sido descoberto em Ibiúna (SP), resultando em centenas de presos”, diz Magalhães em texto publicado no seu blog. Ainda segundo o autor da biografia Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo, por causa dessa função “até hoje os detratores [de Aloysio Nunes] pensam desqualificá-lo apresentando-o como ‘o motorista de Marighella’”.
Nessa época, o senador atendia, na maioria das vezes, por outro nome. Na clandestinidade, ele era chamado principalmente de “Mateus”. Foi com essa alcunha que o tucano participou de uma das ações mais ousadas da guerrilha durante a ditadura militar. Aloysio Nunes foi um dos protagonistas do assalto ao trem pagador Santos-Jundiaí, em 1968. Quem coordenou aquele ato, com o objetivo de conseguir dinheiro para sustentar a resistência armada, foi o ferroviário Raphael Martinelli.
Hoje, aos 89 anos, ele lembra que o senador era o motorista de um dos carros que recepcionou parte dos militantes com o dinheiro levado do trem. Armado com uma carabina, o então militante ajudou a colocar a carga no veículo e levou o dinheiro arrecado. “Tinha o grupo que fazia o serviço e o grupo que aguardava a descarga, né. Ele tinha que esperar onde o trem parasse, ali em Pirituba, para recepcionar os companheiros que iam descer com a carga. O Aloysio, além de fazer a segurança, estava para receber a carga do trem, o dinheiro. Todo mundo estava armado. Num ato desse a gente não ia com intenção de matar ninguém, mas tínhamos que estar preparados”, explica Martinelli.
Pouco tempo depois desse assalto, em 1969, o senador se exilou em Paris, onde passou a ter a função de dar suporte ao grupo. Além de dar abrigo a companheiros que também se exilavam no país, Aloysio buscou apoio de outros movimentos ou partidos de esquerda na Europa. Não por coincidência, se filiou ao Partido Comunista Francês. A própria Iara, por exemplo, chegou a morar “por um ou dois meses” com Aloysio Nunes e a esposa depois da morte de Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo, na tortura, em 1970. “Ele [Aloysio] sai do Brasil por uma série de circunstâncias e fica montando uma estrutura de apoio em Paris até 1972 ou 1973”, conta.
Os companheiros de guerrilha não sabem dizer ao certo por que, mas é nesta época que o senador dá sinais de que teria mudado de opinião a respeito da guerra contra os militares. Com a morte de vários militantes e, principalmente, dos principais líderes da ALN, Aloysio Nunes deixa a organização e volta a se filiar ao PCB. O senador não respondeu às tentativas da reportagem de entrevistá-lo, mas disse recentemente à revista Época que esse período foi “superestimado” e que não diria ter “orgulho”.
“Esse período tem sido superestimado, ele não foi decisivo para a derrota do regime militar. Longe disso, até forneceu o pretexto para o recrudescimento da repressão. Eu não diria que tenho orgulho, mas sempre agi conforme as coisas que considero corretas. Foi o que fiz naquela época. A experiência mostrou que eu estava errado, não só pelo fracasso daquela forma de luta, como também porque ela não foi travada a partir de uma perspectiva democrática”, disse à publicação.
Os companheiros desse período explicam que a mudança de linha de pensamento, já que ele saiu de partidos comunistas para fundar o PMDB e se encontrar no PSDB, não é uma grande surpresa. Assim como ele, vários outros militantes da ALN entraram política sem necessariamente se alojar em partidos de esquerda. “Eu não sei dizer se [a mudança de opinião de Aloysio Nunes] surpreendeu. Não foi o único. Aliás foram muitos que seguiram um caminho parecido com ele”, diz o advogado Aton Fon Filho, que também integrou a ALN e chegou a participar de reuniões com Aloysio.
Mas alguns dizem que Aloysio Nunes nunca teve uma orientação marxista. “É próprio da juventude ser revolucionária. Então essa juventude era revoltada com a ditadura. A maioria era revoltado com as proibições, os sumiços de médicos, vereadores, mas muitos não se enxergavam ideologicamente como comunistas, ao contrário de mim, do Marighella”, resume Martinelli.
Fonte:CartaCapital

Brasil é exemplo no combate à desigualdade social

0

Brasil é um dos poucos países no mundo que diminuíram as diferenças sociais. Programa Bolsa Família está sendo adotado por outras nações, diz diretor da Oxfam – organização que desenvolve programas de combate à pobreza no planeta

desigualdade social brasil combate fome
Enquanto a desigualdade entre ricos e pobres tem sido ampliada na maior parte do planeta, no Brasil tem ocorrido o oposto, apesar de o país continuar entre os mais desiguais do mundo.
É o que aponta o relatório “Equilibre o Jogo: É Hora de Acabar com a Desigualdade Extrema”, divulgado hoje (29) pela Oxfam – organização não governamental que desenvolve campanhas e programas de combate à pobreza em todo o mundo.
“O Brasil tem apresentado um padrão diferenciado, e está entre os poucos países que estão tendo sucesso em diminuir a diferença entre os mais ricos e os mais pobres”, disse o diretor da Oxfam no Brasil, Simon Ticehurst, à Agência Brasil.
Ele acrescentou que, entre os Brics [bloco que agrega também Rússia, Índia, China e África do Sul], “o Brasil é o único que está conseguindo reduzir a desigualdade. E, dentro do G20, é o que está tendo maior sucesso nessa empreitada, ao lado do México e da Coreia do Sul, que, apesar dos avanços, figuram em um patamar inferior ao do Brasil [no que se refere a diminuição das desigualdades]”.
De acordo com ele, entre os fatores que colocam o país nessa situação estão os programas de transferência de renda como o Bolsa Família, iniciativa que, inclusive, tem sido adotada por outros países, lembra ele.
Além disso, ao promover “aumento constante e um pouco acima da inflação” do salário mínimo, o Brasil protege os setores mais baixos da economia.
O salário mínimo nacinal cresceu quase 50% em termos reais, entre 1995 e 2011, e contribuiu para declínio paralelo das situações de pobreza e desigualdade, informou Ticehurst.
Outro ponto favorável, que tem melhorado a situação do país, é a ampliação e melhoria do acesso a serviços básicos públicos, em especial à saúde e à educação.
“Investir em serviços públicos gratuitos é algo essencial para diminuir a distância entre ricos e pobres. Nesse sentido, vale ressaltar que privatizar saúde e educação implica em dificuldades para a ascensão social das pessoas”, argumentou.
Apesar de ter melhorado, nos últimos anos, a distribuição de riquezas, o Brasil continua entre os países mais desiguais do mundo.
“Há ainda muito por fazer”, ressalta Ticehurst, lembrando que “se antes o desafio era universalizar, agora o desafio é dar qualidade a esses serviços”.
“Houve avanços no combate à pobreza e desigualdade, mas para continuar melhorando é necessário aprimorar as políticas sociais e os serviços básicos, principalmente em termos de qualidade. Além disso, é preciso rever a questão tributária e fiscal, de forma a mudar do atual sistema regressivo para um progressivo, no qual quem tem mais contribui mais e quem tem menos contribui menos”.
Em sua avaliação, a reforma política precisa entrar na agenda do país, na busca por uma representatividade mais próxima aos interesses dos brasileiros.
“É também necessário tocar as causas estruturais dessa desigualdade histórica, que afeta o país desde a época da colonização, feita por exploração e com extrema concentração de terras”.
Segundo ele, ao longo da história o Brasil valorizou demasiadamente “uma elite masculina e o patriarcado”, e a escravidão resultou em grandes diferenças econômicas e sociais, a partir da cor.
Disse ainda que “tudo precisa vir acompanhado de uma base mais sólida para o crescimento sustentável”.
Fonte:Pragmatismo Politico

quarta-feira, outubro 29, 2014


Aécio teria vencido as eleições de 2014 se não houvesse internet

0

Cientista político diz que a mesma operação utilizada em 2014 para que Aécio vencesse a eleição foi realizada, com sucesso, em 1989 a favor de Collor. A diferença é que hoje existe a internet e as informações são constantemente confrontadas

aécio neves internet eleição
‘Sem internet, Aécio teria vencido eleição’, diz cientista político (divulgação)
Renato Brandão, RBA
Carro-chefe da editora Abril, a revista Veja lançada na última sexta-feira (24) divulgou como matéria de capa uma acusação de que a presidenta reeleita Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos do PT, tinham conhecimento de um esquema de corrupção na Petrobras. Sem apresentar qualquer prova, o conteúdo da reportagem era baseado em suposto depoimento do doleiro Alberto Youssef à Polícia Federal, que foi desmentido por seu advogado logo após a publicação.
Considerada a última “bala de prata” da oposição para tentar impedir uma nova vitória petista sobre os tucanos, a reportagem foi contestada duramente pela presidenta durante seu último programa eleitoral na TV na mesma sexta-feira. Ainda naquele dia, a Justiça considerou a publicidade da revista como “propaganda eleitoral” e também concedeu direito de resposta ao PT no site da revista.
Ainda assim, o estrago já estava feito. A campanha e simpatizantes do PSDB distribuíram panfletos com a capa impressa da revista da Abril em várias cidades do Brasil. Já na madrugada de sábado (25) para domingo (26), circulavam boatos de que Alberto Youssef havia sido envenenado, algo que teve de ser desmentido com rapidez pela Polícia Federal.
“Essa operação da Veja mostra que ela não é um órgão de comunicação, o que ela mostrou claramente é que ela é uma sala do comitê político do PSDB no Brasil. A revista operou de maneira a desinformar. Ela desinformou”, disse o sociólogo Sérgio Amadeu, doutor em Ciência Política pela USP. Comparando o caso à ação midiática que ajudou a decidir o pleito presidencial de 1989, com a eleição de Fernando Collor de Mello, Amadeu acredita que o plano da editora Abril só não se concretizou nas urnas pela existência da internet. “Existe hoje a internet, que não tinha naquela época. Então, se não houvesse a internet, certamente o candidato Aécio Neves tinha ganho a eleição.”
Para o cientista político, as redes sociais apontaram um acirramento muito grande e deixaram claro que “a linha política e o conteúdo discursivo das forças comandadas pelo PSDB” é baseada na “estratégia do cinismo”. Amadeu também defendeu uma reforma política para se alcançar uma legislação mais democrática dos meios de comunicação. Entrevista completa abaixo:

Qual foi a influência da capa da revista Veja às vésperas do segundo turno presidencial entre Dilma e Aécio?

A capa da Veja foi feita justamente para influenciar o resultado eleitoral. Ela normalmente está nas bancas no sábado, mas saiu na sexta-feira. E era uma capa para, inclusive, ser impressa, tanto é que a campanha do candidato Aécio Neves (PSDB) imprimiu essa capa justamente para manter aquele clima que eles criaram no Brasil de demonização do outro. O grupo Abril, em particular a revista Veja, já há muito tempo é organização que defende interesses econômicos a partir da gestão da política. Não há como dizer agora o quanto impactou, mas eles influíram claramente na votação de domingo, porque o Aécio conseguiu, a partir desse tipo de ação, crescer e encostar na candidata Dilma Rousseff no segundo turno das eleições.

Como o sr. avalia o papel da internet nessas eleições?

Uma coisa que chama atenção nesse processo é que essa operação já tinha sido feito nas eleições de 1989, com sucesso, mas não teve desta vez. E por quê? Porque desta vez – além das pessoas já conhecerem a manobra de grupos de comunicação misturadas à elite política econômica no caso da vitória do Collor – também existe hoje a internet, que não tinha naquela época. Então, se não houvesse a internet, certamente, o candidato Aécio Neves tinha ganho a eleição, porque era o candidato preferido pelos grupos econômicos, pelos banqueiros, pelo mercado de capitais. Inclusive oscilava a Bolsa e, se você for ver, é muito curioso, quando as pesquisas davam a Dilma crescendo, a Bolsa caía, o que mostra o humor desses especuladores financeiros. A internet foi decisiva para a garantia de um debate que não existiria se fossem apenas os meios de comunicação de massa atuando nessas eleições. Isso é bastante nítido no processo eleitoral que ocorreu em 2014.

E as redes sociais?

As redes sociais, em particular, tiveram um papel grande e mostraram, na verdade, um acirramento muito grande. Deixou claro, e é importante que tudo fica registrado, qual é a linha política e o conteúdo discursivo das forças comandadas pelo PSDB, que é baseada em preconceito, em mentira e numa estratégia que podemos chamar de “estratégia do cinismo”. Eles chegam a afirmar que nenhum corrupto ligado ao PSDB está preso ou foi julgado por incompetência do PT, o que é uma coisa completamente cínica. Esse tipo de ação, as pessoas não têm clareza de como vão lidar com isso. Agora, minha opinião é bastante clara: é preciso mostrar concretamente o que é o PSDB do ponto de vista da corrupção. É inaceitável que a bandeira da corrupção seja tomada por forças da corrupção. É inaceitável.
Não tenho nenhuma dúvida do aparelhamento que (governador de São Paulo) Geraldo Alckmin faz na Sabesp. Isso ficou nítido nas gravações mostrando que eles são capazes de ganhar a eleição, inclusive se for para deixar uma cidade em situação de calamidade. Nós temos que mostrar que eles são uma junção de descompromisso com a democracia, de má gestão de recursos públicos e de corrupção em larga escala, como foi feito em São Paulo. Réus confessos entregaram as provas e o Ministério Público não faz nada. Então, temos que ir para cima disso.
Temos que ir para cima do crime eleitoral cometido pela revista Veja, temos que exigir o julgamento do mensalão mineiro antes que ele prescreva e temos que mostrar toda a ligação que o PSDB tem com crime, com práticas absurdas. Não podemos aceitar. E não vai ser falando “pessoal, o clima de ódio é ruim”. Não. O clima de ódio só vai ser reduzido com argumentos verdadeiros e racionais. Não é pedindo paz e amor, não, mas colocando claramente para as pessoas, insistentemente, as falácias do discurso que eles reproduzem para o Brasil. A gente tem que ser muito claro com isso, porque disso depende a democracia, né?

O sr. acredita que o novo governo possa mudar artigos que dizem respeito à comunicação?

Eu acho que um dos principais pontos da reforma política para o Brasil é a reforma da comunicação. Essa operação da Veja mostra que ela não é um órgão de comunicação, o que ela mostrou claramente é que é uma sala do comitê político do PSDB no Brasil. A revista operou de maneira a desinformar. Ela desinformou. Ela já havia feito isso se ligando a um criminoso chamado Carlos Cachoeira e não aconteceu nada. O cara continua lá na sucursal de Brasília, não foi preso, não foi condenado. Nós precisamos mexer nessas estruturas de concentração econômica de poder, fazer uma reforma da comunicação, uma lei de meios, como a da Argentina. E nós precisamos também de uma reforma política que retire o poder do capital, que retire o financiamento privado de campanha, mas que permita também à gente avançar em questões cruciais da sociedade brasileira. Com uma Constituinte que não possa ser com estes deputados, que tenha que ser exclusiva. O deputado que quiser fazer essa Constituinte só poderá se candidatar para isso, para discutir as ideias e o futuro do país, e não para vir com esquemas que a gente sabe que eles articulam, de grandes corporações, de forças que bancam campanhas milionárias. Precisamos de uma reforma política com uma Constituinte exclusiva e, nesse contexto, uma reforma das comunicações.

Por que os partidos têm tido certa dificuldade em atingir os jovens na internet?

A internet não é contraposta aos partidos, mas é que a velocidade das comunicações e as relações intensas que existem na internet geram muitas dificuldades para os partidos, principalmente para legendas partidárias que são estruturas mais orgânicas. Por exemplo, o PSDB adotou e atuou como estratégia na internet, e não é de agora, de desconstruir seus opositores, no caso o governo federal e o PT.
E os tucanos fazem isso destilando preconceitos e coisas absurdas. Se for ver o que dizem dos nordestinos, dos gays e das opções políticas das pessoas, beira ao fascismo. Agora temos que ver o que os partidos que são propostas democráticas e de esquerda podem refazer utilizando a internet, mas é muito difícil fazer política só pelas estruturas partidárias. Hoje, está muito claro que não é só o partido o elemento que faz política. Há outras formas de se fazer política, inclusive com conexões, grupos e coletivos de ativistas na internet.
Fonte:Pragmatismo

O mito da divisão do Brasil

0

Números do TSE esvaziam discurso sobre divisão geopolítica do Brasil. Sudeste e Nordeste tiveram peso muito semelhante na reeleição de Dilma, contrariando ideia que atribui vitória petista apenas aos nordestinos. Radicais pedem que São Paulo se separe do país

dilma são paulo vitória paulista
Comemoração da vitória de Dilma em São Paulo (Foto: Miguel Schincariol/AFP)
As redes sociais amanheceram hoje (27) com novas demonstrações racistas de ressaca eleitoral entre correligionários do candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, derrotado no pleito de ontem por uma diferença de 3,45 milhões de votos. A intolerância contra nordestinos – já criticados por preferirem Dilma Rousseff no primeiro turno – foi além do discurso sobre a “divisão geopolítica” do Brasil e chegou ao separatismo. Uma ira, porém, que não resiste aos números.
Um dos principais porta-vozes da recente onda secessionista é o vereador da cidade de São Paulo, Coronel Telhada (PSDB), ex-comandante da tropa de elite da Polícia Militar, entusiasta da ditadura e recém-eleito deputado estadual com 254 mil votos. “Que o Brasil engula esse sapo atravessado. Acho que chegou a hora de São Paulo se separar do resto desse país”, lamentou, em sua página no Facebook, reproduzindo um cartaz que convocava paulistas a lutarem durante a Revolução Constitucionalista de 1932 contra o então presidente Getúlio Vargas.
“Já que o Brasil fez sua escolha pelo PT, entendo que Sul e Sudeste (exceto Minas Gerais e Rio de Janeiro, que optaram pelo PT) iniciem o processo de independência de um país que prefere esmola do que o trabalho, preferem a desordem ao invés da ordem, preferem o voto de cabresto do que a liberdade”, queixou-se, antes de questionar: “Por que devemos nos submeter a esse governo escolhido pelo Norte e Nordeste? Eles que paguem o preço sozinhos.”
A simples conferência das urnas, porém, desmonta o discurso do coronel tucano. De acordo com números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nordeste e Sudeste tiveram participação muito semelhante na vitória da candidata petista. A presidenta Dilma Rousseff obteve um total de 54,5 milhões de votos no segundo turno. A região tão atacada por setores da elite paulista contribuiu com 20,2 milhões de votos – 37% dos sufrágios ao PT. No Sudeste, 19,9 milhões de pessoas escolheram a presidenta – o que representa 36,5% dos votos em Dilma.
divisao-brasil1
Por sua vez, Aécio Neves teve 25,4 milhões de votos no Sudeste, quase 6 milhões de vantagem sobre Dilma Rousseff, mostrando que a região claramente prefere o tucano. O representante do PSDB, porém, conseguiu apenas 7,9 milhões de votos entre os nordestinos – pouco mais de um terço da votação obtida pela presidenta na região. Fica claro, portanto, que o Nordeste nutre ampla predileção por Dilma Rousseff. Mas não é verdade que essa preferência se reflete com tanta ênfase para Aécio Neves no Sudeste.
divisao-brasil2

segunda-feira, outubro 20, 2014


Aécio contabilizou vacina para cavalo como investimento em saúde

0

Relatório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais prova que Dilma disse a verdade quando mencionou que Aécio contabilizou “vacina para cavalo” como investimento em saúde

dilma aécio debate record vacina cavalo
Dilma disse a verdade quando mencionou, no debate da Record, que Aécio contabilizou “vacina para cavalo” como investimento em saúde
No debate realizado neste domingo, 19 de outubro, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, leu uma frase que ela atribuiu a um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais:
“Conselheiro do TCE diz que ‘é duro engolir que vacina para cavalo seja contabilizada como despesa com Saúde'”.
De acordo com relatório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, o conselheiro Sylo Costa, em reunião de conselheiros que analisou a distribuição de recursos para a saúde em Minas Gerais no governo Aécio Neves, realmente afirmou que: “Tenho de confessar que é duro engolir que vacina para cavalo seja contabilizada como despesa com Saúde. Entendo que despesa com Saúde tem de ser aquilo que é gasto com o SUS – Sistema Único de Saúde”.

Três nomes pensam em disputar a prefeitura de Curitiba

0
Luciano Ducci
Luciano Ducci
Nem bem a eleição terminou e a conversa entre deputados eleitos e derrotados é a disputa pela prefeitura de Curitiba em 2016. Alguns nomes já aparecem na possível disputa contra Gustavo Fruet (PDT), entre eles os de Fernando Francischini (SDD) e de Luciano Ducci (PSB). Leandre Del Ponte (PV) poderá ser a surpresa da eleição. Os verdes gostam de lançar candidatos para ajudar na chapa de vereadores e os 81.181 votos de Leandre, a maioria do interior, a credencia para voos mais altos, além de ser uma boa estratégia para recolocar o Partido Verde da capital paranaense nos trilhos. Na eleição de 5 de outubro, a legenda não lançou candidato, alinhou-se a Roberto Requião (PMDB), e nem mesmo apoiou a candidatura de Eduardo Jorge à presidência. Ducci está disposto a tentar novamente e poderá ter o apoio do PSDB de Beto Richa. O caminho de Francichini deverá ser mais árduo, já que ele está em um partido considerado nanico e com pouco tempo de televisão.

terça-feira, outubro 14, 2014


Dilma, um mal menor

0
14.10.06_Miguel Urbano Rodrigues_DilmaA vitória de Dilma Roussef na primeira volta das eleições presidenciais brasileiras era esperada. Mas a vantagem de 8 pontos obtida sobre Aécio Neves não é suficientemente ampla para garantir a sua reeleição a 26 deste mês.
A campanha eleitoral, inspirada no modelo norte-americano, foi deprimente.
Três semanas foram suficientes para destruir a imagem de Marina Silva que, após a morte do socialista Eduardo Campos, surgira como favorita. De candidata da “esperança” que anunciava mudanças drásticas, a pastora da Assembleia de Deus, próspera igreja evangelista, passou rapidamente a demagoga oportunista comprometida com o grande capital. O eleitorado acabou por lhe infligir uma derrota esmagadora. A surpresa foi a grande votação obtida por Aécio, um político de direita, ex-governador de Minas Gerais, o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira-PSDB (na realidade um partido neoliberal, fundado e liderado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso).
Dilma venceu em 15 estados; Aécio superou-a em 9, nomeadamente em São Paulo. Qualquer previsão sobre o choque entre Dilma e Aécio seria no momento especulativa. Marina Silva, a grande derrotada, declarou-se disposta a apoiar Aécio na segunda volta. A soma dos votos da oposição, 57 milhões, é muito superior à dos atribuídos a Dilma, 43 milhões. Mas influentes observadores políticos admitem que a maioria dos 19 milhões de votos obtidos pela pastora evangélica não é transferível para Aécio.
Seria uma ilusão romântica esperar que Dilma altere, se for reeleita, a estratégia do seu primeiro mandato de clara tendência neoliberal que ela tentou disfarçar com um ténue verniz progressista. A sua política econômica favoreceu as transnacionais, a banca e as grandes empresas brasileiras. Significativamente, contou com o apoio de Barack Obama e da finança internacional. Mas na segunda volta Aécio é o candidato preferido por Washington e pela grande burguesia brasileira. Esse apoio não será provavelmente suficiente para lhe abrir as portas da Presidência. Nas eleições para a Câmara dos Deputados, para o Senado e para governadores dos 26 Estados da Federação, os resultados não foram favoráveis ao PT, partido de Dilma Roussef.
Fonte: O Diário.Info

segunda-feira, outubro 13, 2014


Ministério dos Banqueiros: sobre a tese da independência do Banco Central

0

Por que é tão preocupante para a democracia quando um candidato à Presidência da República vem a público defender a independência do Banco Central?

aecio neves arminio fraga marina silva neca setubal
Aécio Neves e Armínio Fraga. Marina Silva e Neca Setúbal. Ambos defendem, em seus programas de governo, a autonomia do Banco Central do Brasil (Edição: Pragmatismo Político)
Há poucos meses escrevi um artigo para o Pragmatismo Político sobre a chamada “Independência do Banco Central”, tese defendida pela escola econômica neoclássica e pelo sistema financeiro (o qual financia seus porta-vozes na candidatura presidencial). Muitos economistas e jornalistas econômicos novamente estão investindo tinta (ou espaço em seus HDs) para discutir o tema. No entanto, assim como em meu artigo anterior, muito se foca no econômico. Por isto, agora levantarei algumas questões explicitamente políticas.
Ano passado, o cientista político da University of Washington, Christopher Adolph, publicou um livro pela Cambridge Press intitulado de “Bankers, Bureaucrats, and Central Bank Politics”, ainda não editado no Brasil, onde trata justamente sobre a influência das carreiras dos policymakers (os formuladores de política econômica) da área monetária de uma série de países desenvolvidos (nas Américas, na Europa e na Ásia) no comportamento final dos Bancos Centrais (BC).
Segundo o autor, muitos destes diretores ou presidentes são recrutados no próprio Sistema Financeiro. Além disto, o destino pós-mandato acaba por ser, novamente, estes grandes bancos. Esta “origem” e “destino” acabam por gerar incentivos para que estes policymakers “agradem” seus futuros patrões, cortejando um bom emprego para depois da sua passagem pelo Banco Central. Apesar de não necessariamente ser um caso de corrupção, a carreira de cada um destes economistas é influenciada por esta oportunidade única, segundo o autor. Para Adolph, isto não acontece apenas para os casos de Bancos Centrais, dando exemplos do Tesouro, como Robert Rubin, que em 1993 saiu do Goldman Sachs para assumir o Tesouro e posteriormente, em 1999, foi para o Citibank, dentre outros exemplos. No mínimo suspeito, não acham?
O Brasil não foge a regra, como mostra reportagem feita ainda em 2004 pelos jornalistas da Folha de São Paulo, Fernando Rodrigues e Leonardo Souza, a porta giratória também funciona para o nosso caso. Segundo eles, “quatro dos oito integrantes do Copom de 1999 [período pesquisado pelos jornalistas] já deixaram o BC e trabalham no mercado financeiro. Entre eles está Armínio Fraga [hoje principal nome ligado a assuntos econômicos na campanha de Aécio Neves], que presidia a instituição. Abriu sua própria gestora de recursos e também ocupa cadeira no Conselho de Administração do Unibanco, presidido pelo ex-ministro da Fazenda Pedro Malan”. Os jornalistas também dão exemplo de outros então diretores do Banco Central do Brasil e de membros do Banco do Brasil e do BNDES, organizações que também possuem cofres cobiçados pelos banqueiros e empresários.

Como resultado de uma pesquisa feita por mim e mais dois professores do Programa de Pós-graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Paraná, Adriano Codato e Renato Perissinotto, a qual será publicada em breve, há também a constatação desde domínio dos grandes bancos e economistas ortodoxos na formulação de nossa política monetária. Estes também vêm do Sistema Financeiro brasileiro e americano, para ocupar tais cargos.
Por isto é preocupante no sentido democrático quando um candidato a Presidente da República vem a público e defende que dará independência ou autonomia a estes funcionários (no sentido literal da palavra) do Sistema Financeiro. Não é de se estranhar que estes grandes financiadores de campanha depois venham cobrar a conta dos patrocínios milionários dados aos seus partidos políticos. Ou mesmo que, como no caso de Marina Silva, estes representantes estejam formulando seu programa, no caso da Neca Setúbal. Mas a promessa de institucionalização desta autonomia ou independência já chega a acusar uma dominação destes banqueiros fora do comum.
Na prática, a proposta de Independência do Banco Central acaba sendo a independência do povo e a dependência do sistema financeiro – que realmente domina (pessoalmente) estas instituições de grande importância nas economias modernas. Creio que já podemos chamá-la, inclusive, de o Ministério dos Banqueiros.
*Eric Gil é economista do Instituto Latino-americano de Estudos Socioeconômicos (ILAESE) formado pela Universidade Federal da Paraíba, mestrando no Programa de Pós-graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Paraná; escreve quinzenalmente para Pragmatismo Político

sábado, outubro 11, 2014


Aécio não assina compromisso contra trabalho escravo

0

Ao contrário de Dilma, Marina, Luciana Genro e Eduardo Jorge, Aécio não se compromete com documento que pede extinção do Trabalho Escravo. Entidades afirmam que postura reforça conexão do candidato com setor retrógrado do empresariado

aécio neves trabalho escravo
Como José Serra em 2010, Aécio Neves não se compromete com fim do trabalho escravo (arquivo)
O candidato Aécio Neves, do PSDB, ainda não se pronunciou sobre a carta-compromisso contra o trabalho escravo contemporâneo, documento idealizado pela Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), vinculada à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que visa a que os futuros governantes assumam como prioridade a questão.
Tema fundamental para a promoção dos direitos humanos no Brasil, o compromisso de combater o trabalho escravo foi firmado durante a campanha do primeiro turno por boa parte dos presidenciáveis – Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Luciana Genro (Psol) e Eduardo Jorge (PV).
Na carta, o candidato assume 12 compromissos, entre os quais o de não permitir influências de qualquer tipo em decisões que levem a aprovação de leis ou à implementação de ações necessárias para erradicar o trabalho escravo, a de efetivar ações presentes no 2º Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo e nos Planos Estaduais para a Erradicação do Trabalho Escravo (onde eles existirem) e o de não promover empreendimentos e empresas, dentro ou fora do país, que tenham utilizado mão de obra escrava ou infantil.
Um dos itens centrais, devido ao contexto do Legislativo, é o de reconhecer e defender a definição de trabalho análogo ao de escravo presente no artigo 149 do Código Penal (caracterizado por trabalho forçado, servidão por dívida, condições degradantes ou jornada exaustiva), tema que é essencial para a bancada de representantes do agronegócio.
Como signatário de convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre trabalho escravo, o Brasil pode ser submetido ao sistema internacional de justiça caso descumpra medidas no setor.
Em 1995, no primeiro ano do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a escravidão moderna foi reconhecida no país e, desde então, tem se buscado aprimorar os instrumentos de repressão ao trabalho escravo. Para planejar as ações nesse sentido, o então presidente instituiu o Grupo Especial de Fiscalização Móvel e o Grupo Executivo de Repressão ao Trabalho Forçado (Gertraf). Este último acabou substituído pela Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) em 2003, o primeiro ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também estabeleceu o Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo.
Na opinião de frei Xavier Plassat, coordenador da campanha contra o trabalho escravo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), não há qualquer surpresa em que o candidato Aécio Neves não tenha ainda se manifestado sobre o documento contra o trabalho escravo contemporâneo. “É uma falha muito grave, na minha opinião, de não ter se comprometido com isso, provavelmente para angariar mais votos da parte mais reacionária, pode-se dizer, do patronato e empresariado brasileiro”, lamenta.
Radicado no Brasil desde 1989, o frade dominicano francês iniciou a luta contra o trabalho escravo oito anos mais tarde. Em 2008, ele foi agraciado tanto pela ONG estadunidense Free the Slaves como pela Presidência da República do Brasil, no governo Lula, com o Prêmio Nacional de Direitos Humanos.
“É uma representação bem cabal do que representa a sua candidatura. Minas Gerais é um estado que não se pode alegar que não está sabendo dessa questão. Em 2014, é o estado que lidera os casos de trabalho escravo e de trabalhadores libertados”, diz, citando que já houve mais de dez casos envolvendo trabalhadores rurais ou na construção civil em terras mineiras.
Na avaliação do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch, a demora e/ou a recusa do candidato Aécio Neves em assinar a carta-compromisso da Conatrae demonstra “as dificuldades que ele tem de se comprometer” com essa causa. “Ele mostra que não tem compromisso com essa causa, que é dos trabalhadores e de todos os movimentos que lutam pelo fim daquilo que ainda muito nos envergonha no Brasil, que é o trabalho escravo”, avalia.
Durante as eleições de 2010, a carta da Conatrae foi assinada pela então candidata Dilma Rousseff, mas não pelo principal adversário da oposição, o tucano José Serra.

Controvérsias

De acordo com um levantamento divulgado pela ONG Transparência Brasil no último dia 2, Aécio Neves foi um dos 61 candidatos – e o único presidenciável – que é ou já foi financiados por empresas ou pessoas ligadas a exploração de trabalhadores em condições análogas às de escravos, tendo recebido R$ 127.209,00 de quatro doadores de campanhas de 2002 e 2006 para o governo de Minas Gerais.
Em outra ponta, o PSDB, partido de Aécio Neves, é favorável à PEC 215, que tira da Presidência da República e transfere para o Congresso Nacional o poder de definir sobre a demarcação de novas terras indígenas, uma demanda encabeçada por parlamentares da bancada ruralista.
Em maio passado, após 15 anos de tramitação no Congresso, o Senado aprovou a Proposta de Emenda Constitucional do Trabalho Escravo, a PEC 57A/1999, que prevê a expropriação de terras para fins de reforma agrária e programas de habitação popular onde for observada a prática do trabalho escravo, sem qualquer tipo de indenização aos proprietários.
No entanto a aplicação integral do previsto pela emenda acabou condicionada a projeto de lei (PLS 432/2013) que é objeto de polêmica entre proprietários rurais e defensores de um combate mais duro ao trabalho escravo. Atual candidato à vice-presidência na chapa de Aécio Neves, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), relator da PEC, acolheu uma emenda de redação no Senado, sugerida pelo senador Romero Juca (PMDB-RR), que obriga a deixar mais claro o teor da legislação sobre o que é trabalho escravo.
Os defensores da emenda exigiram uma definição em lei, alegando que, se não houver um conceito mais claro, os proprietários rurais ficam ao arbítrio de uma fiscalização que pode ser excessivamente rigorosa e que abriria margem a que uma eventual infração trabalhista fosse interpretada como prática de trabalho escravo. Dessa forma, haverá uma tramitação paralela à PEC com um projeto de lei que regulamente a matéria a fim de evitar o risco, de acordo com representantes da bancada ruralista, de haver interpretações equivocadas.
Para o frei Xavier Plassat, a necessidade de uma nova definição para trabalho escravo representa um retrocesso, pois o conceito já consta do artigo 149 do Código Penal, que tipifica o crime de “reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto.”
“Ultimamente, há muitas tentativas de retroceder e reduzir os instrumentos disponíveis para combate ao trabalho escravo, inclusive com o cúmulo de se rever a própria definição do que é trabalho escravo, uma bandeira da bancada ruralista de rever a definição do artigo 149 do Código Penal”, alerta o frei.
Fonte: Pragmatismo Político

Professores de Minas alertam sobre o risco de eleger Aécio Neves

0

Em carta de repúdio intitulada “O que Aécio fez em Minas serve para o Brasil?”, professores repudiam gestão autoritária do presidenciável em Minas Gerais, quando imperou o descaso com profissionais da educação e da saúde e o aparelhamento da mídia e do judiciário

aécio neves educação minas gerais
O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais divulgou uma carta aberta de repúdio ao presidenciável Aécio Neves. O candidato do PSDB foi derrotado no primeiro turno em seu próprio berço político, Minas Gerais.
No texto, intitulado O que Aécio fez em Minas serve para o Brasil?, os professores comentam as irresponsabilidades gerenciais de Aécio no período em que foi governador, transformando Minas no Estado mais endividado do Brasil.
Os profissionais de educação citam ainda as práticas autoritárias do tucano com diversas categorias de trabalhadores; tudo com o apoio dos veículos de comunicação, do Tribunal de Contas e do Ministério Público Estadual – órgãos que foram aparelhados e lhe eram subservientes. Leia abaixo a nota de repúdio.

O que Aécio fez em Minas serve para o Brasil?

A ideia de uma gestão pública que seja eficiente e que cuida dos seus cidadãos é o que todos almejamos. Foi isso, entre tantas bandeiras, cartazes e palavras de ordem, que as manifestações de junho de 2013 pediram: que o Estado se materialize na vida das pessoas com políticas públicas e serviços de qualidade.
Ouvindo o discurso do candidato à presidência da República Aécio Neves, parece ser ele o que representaria essa eficiência de gestão e o cuidado com as pessoas. Mas a boa política se faz com o que se pratica, não com peças publicitárias. Então, é necessário discutirmos se o que o Aécio fez em Minas serve para o país.
Quando foi eleito governador, Aécio, imediatamente, pediu à Assembleia Legislativa, autorização para fazer leis delegadas (que não precisam ser aprovadas pelos deputados estaduais). Durante o seu mandato foram 110 leis delegadas. O seu antecessor, Itamar Franco, assinou em todo o mandato oito leis delegadas. Mas o que isso tem a ver com o cidadão comum?
As mudanças na estrutura do Estado e seus impactos não foram discutidos com ninguém. E a forma de gestão vai definir quais são suas prioridades. Serve para o Brasil um Presidente que tem como estilo governar sem o Congresso Nacional?
Ao assumir, ele promoveu o choque de gestão, com a ideia de que o Estado deveria gastar menos com a máquina administrativa e mais com as pessoas, e que o Estado equilibraria as suas contas. Após 12 anos, o saldo é extremamente negativo. O Estado não cuidou das pessoas, temos problemas estruturais nas áreas de saúde, educação e segurança pública, não temos políticas que cuidam da nossa juventude, que combatam a violência, as drogas e que promovam a educação e o ingresso no mercado de trabalho. Os programas do governo mineiro têm duas características: são programas de vitrine que não atingem a maioria dos municípios, ou são programas do governo federal que, aqui em Minas, mudam de nome.
Somos o segundo estado mais endividado do país e, ao longo dos anos, a política de novos empréstimos comprometeu para 2015 a capacidade de investimento do Estado. O choque de gestão não trouxe mais eficiência ao governo. Ao contrário, cuidou pouco das pessoas e endividou o Estado.
E o que dizer de um governante que, usando a máquina e o dinheiro do Estado, construiu uma hegemonia que beira ao estado de exceção? Aqui em Minas, a maioria dos deputados estaduais, do Tribunal de Contas, dos donos dos meios de comunicação, do Ministério Público Estadual não atuam de modo autônomo em relação ao governo do Estado, mas têm uma relação de subserviência. É isso que queremos para o Brasil?
As áreas de saúde, educação e segurança pública não tiveram, nos últimos 12 anos, os investimentos e políticas necessárias para o bom atendimento à população. O governo do PSDB deixou de investir mais de R$8 bilhões em saúde e outros R$8 bilhões em educação. Isso porque não cumpriu a Constituição Federal, que estabelece o mínimo de investimento de 12% de impostos em saúde e 25% em educação. Em 2003, Aécio investiu 22,84% em educação, em 2004 investiu 21,69%, em 2005 investiu 21,34%, em 2006 investiu 18,66%, em 2007 investiu 18,73%, em 2008 investiu 20,97%, em 2009 investiu 20,28% e em 2010 investiu 19,97%.
Os números de Minas Gerais, disponíveis no Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado, são diferentes da fala do candidato: 45,6% dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental têm nível recomendável de desempenho em língua portuguesa; 60% dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental têm nível recomendável de desempenho em matemática; 34% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental têm nível recomendável de desempenho em língua portuguesa; 23,2% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental têm nível recomendável de desempenho em matemática; a escolaridade média da população mineira com 25anos ou mais é de 7 anos.
O projeto Escola de Tempo Integral beneficiou 105 mil alunos num universo de 2.238.620. Em 2010, faltavam 1.011.735 de vagas no Ensino Médio. Temos uma das contas de luz mais caras do país. Pagamos de ICMS 43% do valor que consumimos. E 100% do lucro vão para os acionistas da Cemig e não para a melhoria dos serviços prestados à população. Temos problemas com a manutenção da rede de distribuição de energia, foi constatado pelo Ministério Público do Trabalho, trabalho escravo a serviço da Cemig e a cada 45 dias morre um trabalhador a serviço da empresa.
Em Minas foi construído o primeiro presídio de parceria público-privada. E o Estado repassa, à iniciativa privada, valor mensal por preso mais do que paga a um professor.
E quando vejo o candidato posar para fotos ao lado de centrais sindicais e sindicalistas de direita, afirmando que quer conversar com trabalhador, me pergunto de onde este candidato veio, porque em Minas, não conversou conosco. As greves dos servidores públicos são frequentes e longas, com raros momentos de diálogos. O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, que representa mais de 400 mil educadores, nunca foi recebido pelo candidato enquanto era governador. Somos o único estado do sudeste que não tem salário mínimo regional.
Não tenho dúvidas de que, quem quer eficiência de gestão e um governo que cuida das pessoas, não vota em Aécio Neves. O que Aécio fez em Minas não serve para o Brasil.
Beatriz Cerqueira
Professora e Coordenadora-geral do Sindicato Únicos dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais.
Fonte:Pragmatismo Politico

Erundina se diz "envergonhada" com o apoio do PSB a Aécio

0

“É vexatório declarar voto para uma candidatura notadamente conservadora”. Luiza Erundina defendia a neutralidade do partido no segundo turno das eleições presidenciais

luiza erundina aécio neves psb
Deputada reeleita Luiza Erundina foi voto vencido e PSB decidiu apoiar Aécio Neves no segundo turno das eleições de 2014
Reeleita deputada federal por São Paulo no último domingo, Luiz Erundina (PSB) criticou ontem (8), ementrevista à revista Carta Capital, a decisão de seu partido em apoiar Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência da República. Além de avaliar que a escolha afeta a reeleição dos governadores Camilo Capiberibe e Ricardo Coutinho, que disputam, com o auxílio do PT, o segundo turno no Amapá e na Paraíba, respectivamente, ela se mostrou decepcionada com o posicionamento de sua legenda.
“Desde o início do processo eleitoral, tanto Eduardo Campos quanto Marina Silva defenderam ser preciso superar a velha polarização entre PT e PSDB. É incoerente, depois de tudo que se passou, reforçar um desses polos agora”, afirmou Erundina. “É ainda mais vexatório declarar voto para uma candidatura notadamente conservadora, que defende posições tão contrárias ao que defendemos, como a redução da maioridade penal”.
A Executiva Nacional do PSB decidiu se aliar ao tucano na última quarta-feira. A deputada defendeu a neutralidade da agremiação, junto à senadora Lídice da Mata (BA), o senador Antônio Carlos Valadares (SE), Katia Born, o secretário de Juventude Bruno da Mata, o presidente do partido Roberto Amaral e o secretário da Área Sindical, Joílson Cardoso. O senador João Capiberibe (AP) foi o único a votar pela união a Dilma neste segundo turno. Após a definição do apoio à candidatura tucana, sustentado por 22 pessebistas, Erundina e o deputado Glauber Braga, do Rio de Janeiro, decidiram se retirar da reunião. “Saímos no momento em que eles começaram a redigir a carta de apoio a Aécio. Respeitamos a decisão da maioria, mas não queríamos referendar essa posição”, contou.
A ex-petista admitiu, ainda, que o partido está rachado. “Vamos ver quais serão os desdobramentos dessa decisão da Executiva do PSB. É inegável que há uma crise interna, uma divisão dentro do partido, e isso emerge num momento em que ainda estamos disputando o segundo turno em quatro estados”, comentou.
Fonte: Revista Forum

PSOL indica neutralidade e "desaconselha" voto em Aécio

0

Em coletiva à imprensa, Luciana Genro declara que o PSOL não apoiará nenhuma candidatura, mas “desaconselha” voto em Aécio Neves por considerar que o tucano representa o “retrocesso”

psol voto luciana 2014
PSOL libera voto dos seus eleitores e militantes (divulgação)
Em coletiva realizada em São Paulo na tarde desta quarta-feira (8), a ex-candidata à presidência da República pelo PSOL, Luciana Genro, declarou que seu partido não apoiará nenhuma candidatura. Como justificativa, Genro disse que a chapa de Aécio Neves (PSDB) representa o “retrocesso” e que Dilma Rousseff (PT) é um “continuísmo conservador”.
Especificamente sobre o voto, a ex-deputada federal explicou que, embora não faça aliança com ninguém para o segundo turno, o PSOL libera seus filiados e militantes “para livremente escolherem em que votar”. No entanto, refutou o voto no candidato tucano. “Nós desaconselhamos o voto em Aécio Neves”, frisou.
Em nota divulgada pelo Psol, o partido reforça a tese de não apoiar nenhuma das candidaturas, mas faz uma ressalva a respeito do não-voto em Aécio Neves. “Entendemos que Aécio Neves, o seu PSDB e aliados são os representantes mais diretos dos interesses da classe dominante e do imperialismo na América Latina. O jeito tucano de governar, baseado na defesa das elites econômicas e nas privatizações, com a corrupção daí decorrente, significa um verdadeiro retrocesso”, diz o texto.
Ainda durante a coletiva, Genro explicou que a posição do partido se reflete no fato de que as candidaturas não defendem pontos que eles apresentaram, tais como taxação das grandes riquezas, fim da guerra às drogas e combate à homofobia. Questionada se caso algum candidato topasse aderir a algumas destas teses, se o partido mudaria de ideia, ela negou e disse considerar tal atitude uma “barganha política”, em crítica indireta à postura de Marina Silva, que condicionou o seu apoio a Aécio Neves à adesão do tucano às suas propostas de fim da reeleição e manutenção dos programas sociais.
Marcelo Freixo, uma das principais lideranças do PSOL e deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, declarou voto em Dilma Rousseff. “Tenho muitas críticas ao governo do PT, da Dilma, no que diz respeito à Reforma Agrária, aos direitos das minorias, à política econômica, que são públicas. Mas não admito a possibilidade de um retrocesso que eu entendo que possa haver com um governo tucano. Independente do que o partido vier a decidir, eu vou votar na Dilma no segundo turno”, afirmou.
Fonte: Revista Forum

Os vencedores do Prêmio Nobel da Paz 2014

0

Ativistas por direitos de crianças, paquistanesa Malala e indiano Satyarthi dividem Nobel da Paz. Perseguida pelo talibã, Malala Yousafzai é a mais jovem vencedora do Nobel; militante indiano luta contra trabalho infantil e diz ter ajudado de 80 mil jovens

O Prêmio Nobel da Paz de 2014, concedido nesta sexta-feira (10/10), foi dividido entre a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, 17, e o indiano Kailash Satyarthi, 60, presidente da Marcha Global contra o Trabalho Infantil, “pela luta contra a repressão das crianças e dos jovens e pelo direito de todas as crianças à educação”.
Ao fazer o anúncio da premiação, o Comitê do Nobel norueguês lembrou que, nos países mais pobres do mundo, 60% da população é menor de 25 anos de idade, o que faz, segundo o júri, do respeito aos direitos das crianças e dos jovens “um pré-requisito para o desenvolvimento global em paz”. “As crianças devem frequentar escolas e não ser exploradas financeiramente”, ressaltou Thorbjoern Jagland, presidente do comitê.
Ao premiar conjuntamente um hindu e uma muçulmana, um indiano e uma paquistanesa — tendo em vista o histórico de conflitos entre os dois países —, o júri aposta em “uma luta conjunta a favor da educação e contra os extremismos”. Apenas neste mês, o confrontos entre indianos e paquistaneses na conturbada região da Caxemira foi o mais grave da década e deixou 19 mortos.

Inimiga do talibã

Já em 2013, Malala era uma das favoritas a ser laureada com o Nobel da Paz. Em outubro de 2012, a garota, nascida em Mingora em 1997, foi baleada na cabeça por membros do Talibã por defender a educação escolar das mulheres no país, criticando a interpretação fundamentalista do islã que limita o acesso das meninas ao ensino. Em situação crítica, Malala chegou a ficar em coma, mas se recuperou e mudou-se para a Inglaterra, onde segue com o ativismo.
No ano passado, a militante adolescente escreveu o livro Eu sou Malala, que chegou a ser banido das escolas particulares no Paquistão. As autoridades do país consideraram que a obra desrespeita o islã e que a autora é uma “ferramenta do Ocidente”.
“Apesar de sua juventude”, jutificou o comitê responsável por apontar os vencedores do Nobel da Paz, “Malala já lutou por vários anos pelo direito das meninas à educação e mostrou com seu exemplo que crianças e jovens também podem contribuir para melhorar sua própria situação”.
“Ela fez isso nas mais perigosas circunstâncias. Através de sua luta heroica, se transformou em uma porta-voz e líder a favor do direito das meninas à educação”, acrescentou o júri. Aos 17 anos de idade, Malala é a pessoa mais jovem a vencer um Nobel

“Tradição de Gandhi”

Nascido em 1954 em Vidisha, na Índia, país onde ainda reside, Kailash Satyarthi é presidente da ONG Marcha Global contra o Trabalho Infantil. Liderou em 1998 uma mobilização civil contra o exploração infantil que reuniu cerca de 7,2 milhões de pessoas e que deu lugar ao nascimento da ONG.
Também membro da ONG Centro de Vítimas de Tortura, o engenheiro de 60 anos se dedica a salvar crianças do trabalho infantil, além de ter libertado adultos mantidos em regimes de escravidão. Pela suas contas, Satyarthi afirma ter ajudado pelo menos 80 mil crianças na Índia nos últimos 30 anos.
o premiá-lo, o comitê destacou seu “grande valor pessoal” que, “na tradição de Gandhi”, o levou a liderar protestos e manifestações, todas pacíficas, para denunciar a exploração infantil.

Antigos vencedores

No anúncio da premiação, também foi lembrada a importância do trabalho de todas as pessoas e organizações que atuam contra a exploração infantil. Segundo os números divulgados, é estimado que haja cerca de 168 milhões de crianças que trabalham no mundo, 78 milhões a menos que no ano 2000.
Nos dois últimos anos, o Nobel da Paz foi entregue a instituições. Em 2013, a Opaq (Organização para a Proibição de Armas Químicas) venceu por sua atuação na guerra civil síria. E em 2012, a União Europeia foi laureada por seu “papel histórico” na promoção da paz e da reconciliação entre nações.
Fonte: Opera Mundi

segunda-feira, outubro 06, 2014


Profecias falham e Marina Silva não vai ao segundo turno

0
Em 2010, o nome de Marina Silva foi citado em profecias, especialmente da apóstola Valnice Milhomens. No ano seguinte, o pastor Bob Hazlett do Ministério Touch of Fire, pregava na Conferência Dunamis 2011 e trouxe uma revelação. Como não era ano eleitoral, ela foi pouco comentada até ser lembrada nos últimos meses.
O pastor americano contou que teve uma visão sobre a política brasileira, onde via uma mulher sendo controlada por um homem como se fosse marionete. “Ela era sua marionete, e ele falava ‘ela vai fazer o que eu mandar ela fazer’. Mas eu vi então a palavra do Senhor vir como se fosse uma espada que começou a cortar as cordas dessa marionete”, disse Bob.
Anunciou também que Deus mudaria o controle da nação, levantando uma mulher “segundo o coração de Deus” que se ajoelha diante de Deus. Sua eleição iria abalar a nação brasileira e levá-la para uma época de prosperidade.
Com a morte trágica de Eduardo Campos, Marina sai de vice do terceiro lugar nas pesquisas para candidata que, novamente segundo as pesquisas, poderia vencer no segundo turno. Com isso, o Brasil testemunhou uma “onda marineira” que influenciou muitos evangélicos.
Em meio à campanha, o pastor André Salles, que faz parte do ministério Plenitude do Trono de Deus, em uma entrevista à revista Época, declarou que teve uma revelação divina enquanto orava. Afirmou que via Marina Silva andando por uma trilha de luz. “Vejo o próprio Deus preparando o caminho para ela passar”, asseverou. “O Senhor tem esse propósito para a vida dela, de ser presidente do Brasil”.
E foi além. “O Brasil vai melhorar com Marina. A Bíblia diz que quando o justo governa, o povo se alegra. O justo não significa o religioso, mas o honesto. Essas características de humanidade, de temor e amor a Deus ela tem”.
Com a abertura das urnas, ficou claro que não será desta vez que tais profecias se cumprirão. Após ser massacrada na TV tanto pelo PT quanto pelo PSDB, Marina caiu nas pesquisas e na reta final foi ultrapassada por Aécio Neves. Marina Silva (PSB) recebeu 22,16 milhões de votos (21,32%) e ficou em terceiro lugar, mesma colocação da eleição de 2010.
Fonte: Gospel Prime

Maluf fez 246 mil votos em São Paulo

0
Barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa, o deputado federal e ex-governador de São Paulo Paulo Maluf (PP) obteve, com 98,19% das urnas apuradas, 246.446 votos. Embora a Corte tenha negado o registro do candidato à reeleição, Maluf aguarda análise de um recurso. No caso de uma nova derrota, ele ainda poderá ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar garantir os votos deste pleito.
Por ter tido o registro negado, os votos para Maluf não serão considerados válidos e só serão liberados se a Justiça der aval a sua candidatura. Se os votos estivessem sendo computados, Maluf seria até o momento o oitavo mais votado no Estado.
Fonte: Estado de São Paulo

Dilma e Aécio vão disputar segundo turno

0
A eleição para presidente do Brasil em 2014 será decidida em segundo turno entre candidata a reeleição Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). Com 99,25% dos votos apurados, a petista registrou registrou 41,53% e o senador mineiro 33,63%. O resultado confirma as pesquisas realizadas na última semana.
A apuração parcial aponta Marina Silva (PSB) com 21,29% dos votos. Em seguida, vem Luciana Genro (PSOL) com 0,75%. Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV), Levi Fidelix (PRTB), Zé Maria (PSTU), Eymael (PSDC), Mauri Iasi (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO), têm menos de 1%.
O candidato Aécio Neves já se mostrava confiante em passar para o segundo turno na manhã deste domingo. Em entrevista coletiva no Hotel Mercure, no Bairro de Lourdes, na Região Centro-Sul de BH, ele agradeceu aos brasileiros, que confiaram na capacidade transformadora das propostas de sua candidatura. Aécio lembrou a reviravolta com a morte de Eduardo Campos, em agosto, e disse respeitar a candidata Marina Silva, que era vice de Campos. Ele disse, ainda, que está satisfeito com sua campanha. “Não fiz qualquer tipo de concessão, respeitando a tradição de Minas Gerais, meu berço”.

Aécio votou no Colégio Estadual Central, no Bairro de Lourdes, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, às 10h. Ele chegou à escola acompanhado da esposa, Letícia Webber, do candidato ao governo de Minas, Pimenta da Veiga, e do candidato a senador, Antonio Anastasia. Saudado com gritos de “Brasil pra frente, Aécio presidente”, o candidato foi bastante assediado pelos eleitores na porta do local de votação e parou para cumprimentar alguns deles pouco antes de entrar na seção eleitoral. O senador mineiro acompanhou a apuração de seu apartamento no Bairro Anchieta, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
A presidente e candidata à reeleição, acompanhou as apurações no Palácio da Alvorada com alguns coordenadores de campanha. Além do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, estiveram no Alvorada Franklin Martins, o chefe de gabinete da presidente, Giles Azevedo, que também é da coordenação de campanha, e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Thomas Traumann. O cabeleireiro da presidente, Celso Kamura, também já ficou na residência oficial.
Dilma votou por volta das 8h45 deste domingo, na Escola Estadual Santos Dumont, na Vila Assunção, Zona Sul de Porto Alegre (RS). Ela estava acompanhada do candidato à reeleição ao governo estadual Tarso Genro, que vota no mesmo local, e do candidato ao Senado, Olívio Dutra. Ela cumprimentou os mesários e fez o V da vitória. Mais cedo, Dilma tomou café da manhã com aliados políticos em um hotel no centro da capital gaúcha.
Fonte: O Estado de Minas
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...