sábado, janeiro 31, 2015


Uma Chefe de estado muito teimosa

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A presidente Dilma ainda não compreendeu que, para estancar a sangria da Petrobras, é preciso mais do que adotar uma boa governança (que, aliás, não existia na empresa), mudar o conselho e exigir devolução do dinheiro surrupiado no esquema entre funcionários, empreiteiras e políticos, entre outras medidas. A troca de comando no Ministério da Fazenda - de Guido Mantega por Joaquim Levy - é um bom exemplo do bem que a melhora de expectativas pode trazer para a economia, assim como para a empresa. A teimosia da presidente não pode ser maior do que a maior estatal do País. 

As mulheres que expulsaram o Estado Islâmico de Kobani

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O Estado Islâmico terá de reformular uma de suas canções: “O Estado Islâmico permanece, o Estado Islâmico cresce”. Revés sofrido pelos fundamentalistas surpreendeu o mundo. Nem o mais otimista analista político, nem a poderosa coalizão encabeçada pelos EUA para derrotar o EI, esperavam tamanha proeza. Antropólogo David Graeber conta como tudo aconteceu

curdas estado islâmico
Integrantes da guerrilha curda na luta contra EI
Os milicianos armados do EI (Estado Islâmico) terão que reformular uma de suas canções: “O Estado Islâmico permanece, o Estado Islâmico cresce”. Reconhecidos hoje como a maior ameaça fundamentalista do Oriente Médio, o EI acaba de sofrer um inesperado revés, depois de triunfar em consecutivas batalhas contra forças iraquianas e síria. Nesta segunda-feira (26/01), depois de 134 dias de resistência, a guerrilha curda, reunida nas Unidades de Proteção do Povo (Yekîneyên Parastina Gel – YPG), surpreendeu o mundo, expulsando as tropas do EI da cidade de Kobani, em território curdo situado no norte da Síria, junto à fronteira com a Turquia. Trata-se da derrota mais importante imposta sobre o EI na Síria desde sua aparição.
Desde o inicio da ofensiva contra Kobani, em 16 de setembro de 2014, mais de 600 combatentes curdos e 1.000 jihadistas morreram. A vitória foi comemorada nas redes sociais após anúncio feito pelo porta-voz oficial do YPG, Polat Can, via Twitter. Assim como o EI, os combatentes curdos articulam-se na rede mundial de computadores. Nas paginas do Facebook Kurdish Resistance & Liberation e Solidariedade à Resistência Popular Curda pode-se acompanhar as fotos e vídeos dos últimos confrontos e a festa de comemoração após a vitória. Nem o mais otimista analista político, nem a poderosa coalizão encabeçada pelos EUA para derrotar o EI, esperavam tamanha proeza. Como é possível que uma guerrilha formada por homens e mulheres, desamparados militarmente pela falta de um Estado oficial, consiga derrotar a tropa mais sanguinária dos últimos tempos?
David Graeber, professor de Antropologia (London School of Economics), passou 10 dias em Cizire – um dos acampamentos em Rojava, zona ocupada pelo curdos ao norte da Síria. Junto com estudantes, ativistas e acadêmicos, ele teve a oportunidade de observar a democracia confederalista curda.
O que motivou a ida de Graeber, foi uma pergunta feita em artigo publicado em Outubro passado no “The Guardian”, durante a primeira semana dos ataques do EI a Kobani: por que é que o mundo estava ignorando os curdos Sírios revolucionários?
Mencionando o seu pai, que se voluntariou para lutar nas Brigadas Internacionais na república espanhola em 1937, perguntou:
“Se existe hoje um paralelo com os assassinos falangistas, superficialmente devotos de Franco, quem será senão o EI? Se existe hoje um paralelo com as Mujeres Libres de Espanha, quem será senão as corajosas mulheres que defendem as barricadas de Kobani? Vai o mundo – e desta vez mais escandalosamente, a esquerda internacional — ser condescendente em deixar que a história se repita?”
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Imagem mostra resistência curda em 1º de outubro de 2014
De acordo com Graeber, a zona de Rojava é fundamentalmente anti-estado, anti-capitalista e radicalmente democrática. Uma notável experiência revolucionária na região, que separa o poder coercitivo da administração pública e obriga aulas de feminismo para toda população. Leia a seguir, as impressões políticas que Graeber concedeu a Pinar Öğünç’s. (Cauê Seignemartin Ameni)
No artigo para o Guardian perguntaste por que é que o mundo ignora a “experiência democrática” dos curdos sírios. Depois da experiência de 10 dias, tens uma nova questão ou talvez uma resposta para isso?
Bem, se alguém tinha dúvidas se isto era uma verdadeira revolução, ou só alguma “sombra”, diria que esta visita tira todas as dúvidas. Ainda existem pessoas a dizer: “Isto é só uma frente do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), na verdade são só uma organização autoritária stalinista, que apenas finge ter adotado uma democracia radical”. Não. Isto é mesmo sério. É uma revolução genuína. Mas de certa maneira, é exatamente esse o problema. Os grandes poderes têm-se entregado a uma ideologia que diz que as verdadeiras revoluções já não podem acontecer. Entretanto, muita da esquerda, mesmo a radical, parece taticamente ter adotado a política que assume o mesmo, apesar de parecerem superficialmente revolucionários. Com um tipo de “anti-imperialismo” puritano que assume que os únicos jogadores importantes são os governos e capitalistas, e que esse é o único jogo que vale a pena discutir. O jogo onde se batalha, se criam vilões míticos, se agarra petróleo e outros recursos, montam-se redes de patrocínios; é o único jogo da cidade. O povo de Rojava diz: “Nós não queremos jogar esse jogo. Queremos criar um novo”. Muita gente acha isto confuso e perturbador, então escolhem acreditar que não está acontecendo nada, ou que essas pessoas estão iludidas, são desonestas ou ingênuas.
Desde Outubro que vemos uma crescente solidariedade vinda de vários movimentos políticos de todo o mundo. Houve uma grande e entusiástica cobertura da resistência em Kobani pelos meios de comunicação internacionais. A posição política perante Rojava mudou no Ocidente, de certa forma. Existem sinais significativos, mas estariam discutindo suficientemente a autonomia democrática e as experiências nos cantões de Rojava? Que parte de “algumas pessoas corajosas a lutar contra o grande mal desta era, o EI” não estará a dominar esta aprovação e este fascínio? Acho que é notável que tanta gente no Ocidente olhe para estes quadros de feministas armadas, por exemplo, e nem sequer pense nas ideias por trás delas. Apenas se apercebem que assim aconteceu, por algum motivo. “Penso que é uma tradição curda”. De certo modo, claro que se trata de orientalismo, ou simplesmente racismo. Nunca lhe ocorreu que as pessoas no Curdistão também possam ler Judith Butler. Na melhor das hipóteses pensam: “Oh, estão tentando alcançar os padrões ocidentais da democracia e dos direitos das mulheres. Será que é sério ou será que é só para os estrangeiros verem?”. Não lhes ocorre que eles podem estar levando as coisas bem mais longe que os “padrões ocidentais” alguma vez levaram; que acreditam genuinamente nos princípios que os Estados ocidentais apenas professam.
Mencionaste a aproximação da esquerda sobre Rojava. Como isso é recebido nas comunidades anarquistas internacionais?
A reação da comunidade anarquista internacional tem sido decididamente diversa. De certa maneira, acho difícil de entender. Existe um grupo substancial de anarquistas – normalmente os elementos mais sectários – que insiste que o PKK ainda é um grupo nacionalista autoritário stalinista, que adotou as teoria do Murray Bookchin, e outros partidários da esquerda libertária, para cortejar a esquerda anti-autoritária na Europa e América. Parece-me uma das ideias mais parvas e narcisistas que já ouvi. Mesmo que a premissa estivesse correta, e que um grupo marxista-leninista decidisse fingir uma ideologia para obter apoio estrangeiro, por que raio é que iriam escolher ideias anarquistas desenvolvidas por Murray Bookchin? Isso seria a jogada mais estúpida de sempre. Obviamente fingiriam ser islamitas ou liberais, já que são esses que conseguem armas e apoio material. De qualquer maneira, penso que muita gente na esquerda internacional, incluindo a esquerda anarquista, não quer basicamente ganhar. Não conseguem imaginar que uma revolução realmente acontecesse, e, secretamente, nem sequer a querem, uma vez que isso significaria partilhar o seu clube “cult” com pessoas comuns; já não seriam especiais. Assim, até é útil para separar os verdadeiros revolucionários dos “posers”. Mas os verdadeiros revolucionários têm-se mantido firmes.
Qual foi a coisa mais impressionante que testemunhaste em Rojava nos termos práticos desta autonomia democrática?
Existem tantas coisas impressionantes. Acho que nunca ouvi falar de nenhum outro lado do mundo onde tenha existido uma situação de dualidade de poder, onde as mesmas forças políticas criaram ambos os lados. Existe a “auto-administração democrática”, onde existem todas as formas e armadilhas de um Estado – Parlamento, ministros, e por aí –, mas criada para ser cuidadosamente separada dos meios do poder coercivo. Depois há o TEV-DEM (o Movimento da Sociedade Democrática), raiz das instituições, dirigido via democracia direta. No final – e isto é fulcral – as forças de segurança respondem perante as estruturas que seguem uma abordagem de baixo para cima, e não de cima para baixo. Um dos primeiros locais que visitamos foi a academia de polícia (Asayis). Todos tiveram que frequentar cursos de resolução de conflitos não violenta e de teoria feminista antes de serem autorizados a pegar numa arma. Os co-diretores explicaram-nos que o seu objetivo final é dar seis semanas de treino policial a toda a gente no país, para que em última análise se possa eliminar a polícia.
O que responderias às várias críticas em torno de Rojava? Por exemplo: “Eles nunca fariam isto em tempos de paz. É por causa do estado de guerra”…
Bem, penso que a maioria dos movimentos, perante as condições horrendas da guerra, não iria no entanto abolir imediatamente a pena capital, dissolver a polícia secreta e democratizar o exército. As unidades militares, por exemplo, elegem os seus oficiais.
E existe outra crítica, bastante popular nos círculos pro-governo aqui na Turquia: “O modelo que os Curdos – na linha do PKK e PYD (o Partido Curdo de União Democrática, na Síria) – estão tentando promover não é na verdade seguido por todas as pessoas que lá vivem. Essa multi-estrutura existe apenas à superfície, nos símbolos”…
Bem, o presidente do cantão de Cizire é árabe, é de fato o chefe da maior tribo local. Suponho que se possa dizer que ele é só uma figura. No sentido que todo o governo o é. Mas ao olhar para as estruturas organizadas de baixo para cima, é certo que não são só os curdos que estão participando. Disseram-me que o único problema sério é com algumas aldeias do “cinto árabe”, pessoas trazidas de outras partes da Síria pelos Baathistas nos anos 1950 e 60, como parte de uma política de marginalização e assimilação dos curdos. Algumas dessas comunidades afirmaram-se bastante hostis à revolução. Mas os árabes cujas famílias já estão lá há várias gerações, ou os assírios, quirguizes, armênios, chechenos, mostram-se entusiasmados. Os assírios com quem falamos disseram que, após uma longa e difícil relação com o governo, sentiram que finalmente lhes era permitida autonomia cultural e religiosa. Provavelmente, o maior problema pode ser o da libertação das mulheres. O PYD e o TEV-DEM vêem isso como absolutamente central na sua ideia de revolução, mas também enfrentam o problema de lidar com alianças maiores, com comunidades árabes que sentem que isto viola princípios religiosos básicos. Por exemplo, enquanto aqueles que falam siríaco têm a sua própria união de mulheres, os árabes não, e as garotas árabes interessadas em organizar-se em torno de questões de gênero ou até assistir a seminários feministas têm de se juntar com os assírios ou mesmo com os curdos.
Não é necessário estar preso no “quadro anti-imperialista puritano” que mencionaste antes, mas o que dirias em relação ao comentário que o ocidente/imperialismo irá um dia exigir aos curdos sírios um pagamento pelo seu apoio? O que é que o ocidente pensa exatamente sobre este modelo anti-estado e anti-capitalista? É apenas uma experiência que pode ser ignorada durante um estado de guerra, enquanto os curdos aceitam voluntariamente combater um inimigo criado pelo ocidente?
É absolutamente verdade que os EUA e a Europa irão fazer o que puderem para subverter a revolução. Nem é preciso dizer nada. As pessoas com quem falei estão bem cientes disso. Mas não fazem grande diferenciação entre a liderança de poderes regionais como na Turquia, Irã ou Arábia Saudita, e poderes Euro-americanos como por exemplo França ou EUA. Assumem que são todos capitalistas e estadistas e portanto anti-revolucionários, que podem no melhor dos casos ser convencidos a apoiarem-nos mas que, em última análise, não estão do seu lado. Depois existem questões ainda mais complicadas da estrutura da chamada comunidade internacional, o sistema global de instituições como a ONU ou FMI, corporações, ONG’s, organizações humanitárias, em que todas presumem uma organização estadista, um governo que pode passar leis e detém o monopólio da aplicação coerciva dessas leis. Só existe um aeroporto em Cizire e está sob o controle do governo sírio. Podem tomá-lo a qualquer altura, dizem. E há uma razão para não o fazerem: como iria um não-Estado dirigir um aeroporto? Tudo o que se faz num aeroporto é sujeito a regulamentos internacionais, o que presume um Estado.
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Tens uma resposta para o porquê da obsessão do EI com Kobani?
Bem, eles não podem ser vistos perdendo. Toda a sua estratégia de recrutamento é baseada na ideia que eles são imparáveis, e que a sua contínua vitória é a prova que representam a vontade de Deus. Serem derrotados por um monte de feministas seria a humilhação final. Enquanto estiverem lutando em Kobani, podem dizer que a mídia mente e que estão avançando verdadeiramente. Quem pode provar o contrário? Se recuassem seria admitir a derrota.
Tens resposta para o que Tayyip Erdogan e o seu partido estão tentando fazer na Síria e o Oriente Médio em geral?
Posso apenas imaginar. Parece que Erdogan passou de uma política anti-Assad e anti-curda para uma estratégia quase puramente anti-curda. Repetidamente tem mostrado vontade de se aliar com fascistas pseudo-religiosos para atacar qualquer experiência de democracia radical inspirada no PKK. Ele vê claramente, como o próprio Daesh (EI), que o que está sendo feito é uma ameaça ideológica, talvez a única alternativa ideológica viável face ao islamismo de direita que se avizinha, e tudo fará para a eliminar.
De um lado existem os curdos iraquianos com uma ideologia bem diferente em termos de capitalismo e noção de independência. Por outro lado, existe este exemplo alternativo em Rojava. E existem os curdos da Turquia que tentam manter um processo de paz com o governo… Pessoalmente, como vês o futuro do Curdistão a curto e a longo prazo?
Quem pode dizer? Neste momento as coisas parecem surpreendentemente boas para as forças revolucionárias. O KDG até desistiu da enorme vala que estava construindo através da fronteira de Rojava, após o PKK intervir e salvar Erbil e outras cidades dos avanços do EI, em Agosto. Um membro do KNK me disse que isso teve um grande impacto na consciência popular; que um mês criou tanta consciência como 20 anos. Os jovens estavam particularmente impressionados pelo fato de seus próprios Peshmerga abandonarem o campo de batalha, mas as mulheres do PKK não. Mas é difícil de imaginar como é que o território de KRG será contudo revolucionado num futuro próximo. Nem o poder internacional o permitiria.
Apesar da autonomia democrática não parecer estar em cima da mesa de negociações na Turquia, o Movimento Político Curdo está trabalhando nisso, especialmente a nível social. Tentam encontrar soluções em termos legais e econômicos para possíveis modelos. Quando comparamos, digamos, a estrutura de classes e o nível de capitalismo no Curdistão Ocidental (Rojava) e no Norte (Turquia), o que pensas sobre as diferenças destas duas lutas para uma sociedade anti-capitalista – ou para um capitalismo minimizado, como o descrevem?
Penso que a luta curda é explicitamente anti-capitalista em ambos os países. É o seu ponto de partida. Conseguiram uma espécie de fórmula: não eliminar o capitalismo sem eliminar o Estado, e não podemos eliminar o Estado sem eliminar o patriarcado. No entanto, o povo de Rojava tem a questão simplificada em termos de classes porque a verdadeira burguesia, tal como existia numa região maioritariamente agrícola, desapareceu com o colapso do regime de Baath. Enfrentarão um problema a longo prazo se não trabalharem no sistema educativo, para assegurar que um estrato tecnocrata de desenvolvimento não tente eventualmente tomar poder, entretanto, é compreensível que se foquem de imediato nas questões de gênero. Na Turquia não sei tanto, mas tenho a sensação que as coisas são muito mais complicadas.
Durante os dias em que as pessoas do mundo não podiam respirar por razões óbvias, a tua viagem a Rojava inspirou-te sobre o futuro? Qual achas que é o “remédio” para as pessoas respirarem?
Foi extraordinário. Passei a minha vida pensando em como poderíamos fazer coisas como estas num futuro remoto e a maioria das pessoas pensa que sou louco por imaginar que isto alguma vez vai acontecer. Estas pessoas estão fazendo agora. Se eles provarem que pode ser feito, que uma sociedade genuinamente igualitária e democrática é possível, isto irá transformar completamente a noção de possibilidades humanas. Pessoalmente, sinto-me dez anos mais novo só de ter lá passado dez dias.
Com que cena te irás recordar da tua viajem a Cizire?
Existem tantas imagens impressionantes, tantas ideias. Gostei da disparidade entre o aspecto das pessoas e as coisas que diziam. Conhece-se alguém, um médico, que parece um militar sírio, vagamente assustador, de casaco de cabedal e expressão austera. Depois fala-se com ele e ele explica: “Bem, sentimos que a melhor abordagem à saúde pública é a prevenção, a maioria das doenças ocorre devido ao stress. Sentimos que se reduzirmos o stress, os níveis de doenças de coração, diabetes, e mesmo o cancro irão diminuir. Assim, o nosso plano final é reorganizar as cidades para terem 70% de espaços verdes…” Existem todos estes planos loucos e brilhantes. Mas depois vai-se ao médico ao lado e explica-nos que, graças ao embargo turco, não conseguem sequer obter equipamento ou medicamentos básicos, que todos os pacientes para diálise que não foram levados dali morreram… Esta disjunção entre as ambições e as incríveis e difíceis circunstâncias. A mulher que era efetivamente a nossa guia era uma vice-chanceler chamada Amina. A certa altura, pedimos desculpa por não termos trazido presentes melhores e ajudado a população de Rojava, que sofre sob o embargo. E ela disse: “No final, isso pouco importa. Temos a única coisa que ninguém nos pode dar. Temos a nossa liberdade. Vocês não. Quem me dera que houvesse uma maneira de poder dá-la”.
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Curdas se preparam para lutar contra EI – imagem de 27 de setembro
É as vezes criticado por seres demasiado otimista e entusiasta sobre o que está acontecendo em Rojava. Achas que és? Ou há alguma coisa que não entendem?
Sou otimista de temperamento, procuro situações que carreguem alguma promessa. Não acho que existam garantias que isto resultará no final, que não será esmagado, mas certamente que não será se toda a gente decidir que nenhuma revolução é possível e se recusar a dar-lhe apoio ativamente, ou até dedicar esforços a atacá-la ou aumentar o seu isolamento, como muitos fazem. Se existem alguma coisa da qual tenho consciência e os outros não, talvez seja o fato da história não estar terminada. Os capitalistas têm feito um esforço enorme nos últimos 30 ou 40 anos em convencer as pessoas que os atuais acordos econômicos – nem sequer o capitalismo, mas a forma de capitalismo semi-feudal, financializada, peculiar que temos hoje em dia – são o único sistema econômico possível. Puseram mais esforços nisto do que em criar um sistema capitalista global viável. Como resultado, o sistema está a despedaçar-se à nossa volta no preciso momento em que toda a gente perdeu a capacidade de imaginar outra coisa. Bem, é bastante óbvio que em 50 anos, o capitalismo sob qualquer forma que conhecemos, e provavelmente sob qualquer outra forma, já não existirá. Terá sido substituído por outra coisa. Essa coisa pode não ser melhor. Pode até ser pior. Por esse mesmo motivo, parece-me que é nossa responsabilidade, enquanto intelectuais, ou simplesmente seres humanos pensantes, de pelo menos pensar como será uma coisa melhor. E se existem pessoas que estão verdadeiramente tentando criar essa coisa melhor, é nossa responsabilidade ajudá-las.
Fonte:Jornal Mapa com grifo.

segunda-feira, janeiro 26, 2015


ELEIÇÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

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Os parlamentares na Câmara Federal marcam a reta final da campanha para a disputa da presidência da casa. Os quatro deputados (Eduardo Cunha, do PMDB, Arlindo Chinaglia, do PT, Julio Delgado, do PSB e Chico Alencar, do Psol),  terão apenas os próximos dias para convencerem seus colegas de que são o melhor perfil para liderar o parlamento no mandato seguinte que são de dois anos. Eduardo Cunha, do PMDB, até aqui se coloca como o campeão das articulações de apoio, conseguindo fechar o leque expressivo de alianças partidárias (conta com o PMDB, o PTB, SDD, DEM, PSC, PRB e PHS), e ainda conta com apoiadores no PSDB e no PPS. Arlindo Chinaglia, do PT, tem apoio do seu partido, o PCdoB e o PSD. Júlio Delgado, além do seu partido, o PSB, tem apoios declarados do PSDB, PV e PPS. E o candidato do Psol só tem ao seu lado, declaradamente, o seu próprio partido. Será uma luta aguerrida até o dia do pleito. O Palácio do Planalto  preocupado com uma eventual vitória de Eduardo Cunha, do PMDB, e com receio de que o novo presidente não esteja sintonizado com o governo em eventuais pedidos de impeachment contra a presidente, aponta sua artilharia pesada prometendo o mundo e os fundos, para fazer de Chinaglia o Presidente da Câmaramdos Deputados. Como há uma avalanche de coisas negativas contra o PT, Eduardo Cunha vai singrando o mar revolto de Brasília e vai chegando na frente como favorito. 

Imagine Mandaguari sem água

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Ontem a cidade de S.Paulo completou 462 anos em meio a penúria da escassez de água. Consequências da falta de trabalho preventivo no cuidado com seus mananciais. No Rio e Minas, as autoridades viabilizam o racionamento. No Paraná, apesar os cuidados e investimentos da Sanepar para que não se repita o drama por aqui, que tal cada um dos paranaenses ir fazendo a sua parte na economia do bem tão precioso que é a água. Com medidas simples como: fechar a torneira enquanto escova os dentes, não lavar calçadas com água da torneira, corrigir os vazamentos do imóvel, tomar banho em menos tempo, evitar lavar o carro toda semana e outras. Assim estaremos contribuindo com nossa economia e com o bem comum. Sem contar que as autoridades precisam tomar medidas sérias no cuidado com os mananciais, em Mandaguari o prefeito Romualdo Batistão precisa
ver isso.

sábado, janeiro 24, 2015


Concurso público pede comprovante de virgindade

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Em São Paulo, concurso exige exame de virgindade. Ativistas dizem que a medida é aviltante e que no Estado mais rico e desenvolvido da Federação “vivemos em plena Idade Média”

concurso publico virgindade mulher
Para preencher um dos requisitos do concurso público da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (SEE-SP), as candidatas selecionadas neste ano tiveram que comprovar, por meio de um atestado médico, que não tiveram seu hímen rompido, ou seja, eram virgens.
A denúncia parte de uma das candidatas selecionadas pelo concurso, aberto em 2012, para o cargo de Agente de Organização Escolar. “Na hora em que fui a um consultório para me submeter à análise ginecológica, entrei em pânico. Foi constrangedor explicar para a médica que precisava de um atestado de virgindade para poder assumir uma vaga em um concurso”, disse a candidata – que por privacidade não teve o nome revelado -, em entrevista concedida ao portal Último Segundo.
Em nota, o movimento Católicas pelo Direito de Decidir considerou a medida aviltante, afirmando que vivemos em plena Idade Média “no estado mais rico e ‘desenvolvido’ da Federação – entre muitas aspas, especialmente para a população feminina”.
“A submissão de legislador@s e executiv@s a normas e doutrinas religiosas por cálculo eleitoral é por demais conhecida nossa. O problema é que, além de violar direitos constitucionais de cidadãos e cidadãs que não tem qualquer referência religiosa e não desejam ter suas vidas reguladas por tais normas, essa submissão afeta de forma direta a vida das mulheres e da população LGBT, na medida em que políticas públicas destinadas a tod@s @s cidadãs e cidadãos do país são implementadas ou não, conforme se tenha a aprovação desses setores”, critica a nota.

O concurso

Depois de passar pelas provas regulares, a candidata foi chamada para a realização dos exames médicos de admissão, quando foi surpreendida com um comunicado emitido pela Coordenadoria de Gestão de Recursos Humanos da SEE e pelo Departamento de Perícias Médicas do Estado (DPME), que dava detalhes sobre testes ginecológicos requeridos às candidatas mulheres.
O comunicado informa que mulheres que “não possuem vida sexual ativa, deverão apresentar declaração de seu médico ginecologista assistente”. Dessa forma, com a comprovação de virgindade, estariam isentas da realização dos exames ginecológicos intrusivos, de acordo com confirmação do próprio DPME.
A justificativa para a realização dos exames é que servem para atestar a saúde dos futuros funcionários públicos. No entanto, segundo Maria Izabel Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), trata-se de uma violação.
“Atestado de virgindade? Por favor! Estamos em pleno século XXI. Querem evitar candidatas doentes? A verdade é que elas entram com saúde e é a falta de condições da rede que as deixam doentes”, disse.
Fonte: Brasil de fato

O que fazer quando a água acabar?

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Crise da água em São Paulo: especialistas apontam cenários para quando a água acabar e lições a serem tomadas pelo colapso estadual

 Alckmin PSDB falta água São Paulo

Promessa de campanha do governador Geraldo Alckmin (PSDB), a falta de água em São Paulo é uma realidade há meses em diversos pontos do Estado. Na semana passada, ele admitiu que há sim racionamento (diante da repercussão, tentou voltar atrás), algo que a população – sobretudo a dos bairros mais carentes – já sabia. O que também já se sabe é que, sim, a água vai mesmo acabar. Se não chegar a zerar, terá níveis baixíssimos que afetarão a vida de todos, a partir de março.
Os especialistas ouvidos pelo Brasil Post viram com bons olhos o fato de que o governo paulista, com atraso, reconheceu o racionamento. Também aprovaram a aplicação de multa contra aqueles que consomem muita água – embora a medida, tardia, devesse ser uma política sempre presente, e não para ‘apagar incêndios’ como agora. Contudo, o cenário que se colocará com a chegada do período de estiagem, entre o fim de março e começo de abril, se estendendo até outubro, vai requerer novos hábitos, seja dos gestores ou da população.
Quando acabar a água serão interrompidas atividades que não são consideradas essenciais, com cortes para o comércio, para a indústria e o fechamento de locais com muito uso de água, como shoppings, escolas e universidades”, analisou o professor Antonio Carlos Zuffo, especialista na área de recursos hídricos na Unicamp. Parece exagerado, mas não é. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo desta quarta-feira (21), os seis mananciais que abastecem 20 milhões de pessoas na Grande São Paulo têm registrado déficit de 2,5 bilhões de litros por dia em pleno período no qual deveriam encher para suprir os meses de seca.
Já em 2002, a Saneas, revista da Associação dos Engenheiros da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (AESabesp), publicava um texto no qual apontava “uma inegável situação de estresse hídrico”, a qual podia “ter um final trágico, com previsões de escassez crônica em 15 anos”. A Agência Nacional de Águas (ANA) apontava, na outorga de uso do Sistema Cantareira de 2004, que era preciso diminuir a dependência desse sistema. Em plena crise, na tentativa de renovação em 2014, havia uma tentativa de aumentar, e não diminuir, o uso do Cantareira. Ou seja, algo impraticável e ignorando as previsões. Não, a culpa não é de São Pedro.
Hoje a situação é muito pior que no ano passado. Em janeiro de 2014 tínhamos 27,2% positivos no Cantareira, hoje temos 23,5% negativos. Ou seja, consumimos 50% do volume nesse período. Mantida a média de consumo, a água acaba no fim de março. É preciso lembrar que janeiro é o mês com maior incidência de chuva em SP, seguido por dezembro. No mês passado, choveu 25% a menos do que a média. Esse mês só choveu 22%, 23% da média. A equação é simples: não vai ter água para todo mundo”, completou Zuffo.
Informação e transparência
Para a ambientalista Malu Ribeiro, da ONG SOS Mata Atlântica, a demora em admitir o óbvio por parte das autoridades trouxe mais prejuízos do que benefícios ao longo dos últimos 13 meses. “A sociedade precisa ter a noção clara da gravidade dessa crise. Quando as autoridades passam certa confiança, como era o caso do governo Alckmin, a tendência é que não se alerte da forma necessária e as pessoas se mantenham em uma situação confortável. Muita gente não acredita na proporção dessa crise, muito se agravou e agora é preciso cautela”, avaliou.
As mudanças na Secretaria de Recursos Hídricos e na presidência da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), com as entradas de Benedito Braga e Jerson Kelman, respectivamente, também foram benéficas, já que colocam em posições estratégicas dois especialistas no tema. Entretanto, isso não basta. A necessidade de discutir a gestão da água sob o âmbito estratégico, algo muito teórico e pouco prático no Brasil, é vista como fundamental em tempos de crise.
Há ainda muita ocupação em áreas de mananciais, por exemplo. Então vemos que o comportamento, apesar da crise não ser nova, não mudou. Veja em Itu, onde eu moro, onde a crise foi muito pior e, agora que choveu um pouco, as pessoas acham que não precisam mais poupar, que tudo voltou ao normal. O combate ao desperdício deve ser permanente e temos de ter prevenção. É preciso doer no bolso, por isso a multa deve ser permanente”, disse Malu.
A falta de informação resultou em uma insegurança, sem informar à população sobre o seu papel na crise. A ONU já apontava que a década entre 2010 e 2020 seria da água, e não por acaso, mas no Brasil há uma timidez nesse sentido. É preciso mudar essa cultura de abundância que se tem no Sudeste e desenvolver um plano estratégico, com mais poder aos comitês de bacia. É absurdo o desperdício de água na agricultura, e isso não é discutido. É hora de acordar”, completou a ambientalista.
‘Água cara’ veio para ficar
De acordo com os especialistas, a crise da água expõe também um cenário já esperado, já que a Terra passa por ciclos alternados entre seca e chuvas a cada 30 anos. O atual, iniciado em 2010 e que segue até 2040, será recheado de períodos de seca em regiões populosas, quadro a se inverter apenas daqui a 25 anos. Assim, é preciso mudar hábitos, antes de mais nada. Mesmo em tempos de calor excessivo, há quem ainda não tenha se dado conta disso.
Muita gente se vê alheia ao problema e, com o calor, acaba correndo para compras piscininhas e usa a água para o lazer. O Carnaval que está chegando também ajuda a tirar o cidadão comum do foco, como ocorreu durante as eleições. Isso não é mais possível. Há a responsabilidade dos gestores, mas também é preciso que o cidadão se atente ao seu papel, sob pena de termos novas ‘cidades mortas’, como no Vale do Paraíba ou no Vale do Jequitinhonha, onde os recursos naturais foram exauridos”, afirmou Malu.
E que ninguém se anime com a promessa da Sabesp de que ainda há uma terceira cota de 41 bilhões de litros do volume morto do Cantareira, cujo uso deve ser solicitado pelo governo paulista junto à ANAnos próximos dias. “Sabemos que 45% do Cantareira que não é captado é volume morto. A terceira cota restante não é toda ela captável. Teríamos com ela mais uns 10%, suficiente só para mais algumas semanas”, comentou Zuffo.
Medidas sugeridas ao longo da crise, o reuso da água e a dessalinização são medidas caras e que dependem de outros aspectos para serem implementadas – e, com o possível racionamento de energia elétrica, podem não sair do papel. Ou seja, não são a solução a curto prazo. O uso de mais água de represas como a Billings (com sua notória poluição) também dependem de obras – outro entrave para quem gostaria de não ver a falta de água por dias seguidos se tornar uma realidade por meses a fio. Sem chuva, só há um caminho a seguir.
Há uma variabilidade cíclica natural, que nada tem a ver com o aquecimento global, mas não temos engenharia para resolver a questão no curto prazo. Temos é que ter inteligência para nos adaptar e reduzir de 250 litros para 150 litros, ou ainda menos, o consumo de água por cada pessoa. Há países europeus em que o uso não passa de 60 litros/pessoa. É preciso usar menos e tratar a água de maneira que ela possa ser reutilizada. Tudo depende de tecnologia e novos hábitos”, concluiu Zuffo
Fonte: Brasil post

Por que Dolma escolheu a Bolívia e rejeitou a Suiça?

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É fácil entender por que Dilma rejeitou o “sagrado” Fórum Econômico Mundial nos Alpes suíços para comparecer à posse do presidente reeleito Evo Morales, no altiplano da Bolívia

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Além de Dilma, a posse de Evo Morales na Bolívia foi prestigiada por outros líderes mundiais e sul-americanos, como Tabaré Vázquez (sucessor de Mujica no Uruguai), Nicolás Maduro e Rafael Correa

Uma das tolices que estão sendo propagadas pelos suspeitos de sempre é que Dilma cometeu um desatino ao optar por ir à posse de Evo Morales na Bolívia e não a mais uma edição do Fórum Econômico Mundial, em Davos.
As críticas derivam de duas coisas. Uma é o preconceito em relação à Bolívia e Evo. Não há nada que se possa fazer a respeito. Augusto Nunes, o Brad Pitt de Taquaritinga, chama Evo de “Llama de Franja”, e presume que está sendo espirituoso.
O segundo fator é a ignorância dos críticos em relação ao Fórum Econômico Mundial, que cobri duas vezes, já quando perdera o brilho.
O WEF, das iniciais em inglês, é agora uma espécie de Ilha de Caras da plutocracia global.
Teve num passado distante, quando a globalização era novidade, alguma relevância.
Nos dias de ouro, até estrelas do cinema como Angelina Jolie iam a Davos, nos Alpes suíços.
Não mais.
Agora, os organizadores têm que se contentar com subcelebridades como Paulo Coelho – sempre presente com tudo na faixa – para tentar promover o encontro.
O WEF, ao contrário do que muitos pensam, é um negócio privado e seu maior objetivo, longe de resolver os problemas do mundo, é proporcionar holofotes a seu dono, o alemão Klaus Schwab.
Como a Ilha de Caras vivia do prestígio de quem ia a ela, o WEF depende também dos políticos e empresários que se deslocam para Davos.
Tente encontrar Obama lá, por exemplo. Obama jamais foi ao WEF, e nenhum dos seus críticos encrencou com isso. Nem Bush compareceu uma única vez a Davos.
Clinton foi, em 2000. Mas estava se despedindo da presidência, e o WEF era um excelente lugar para arrumar palestras de 150 000 dólares ao redor do mundo.
Os líderes empresariais que vão ao WEF estão lá não por seu notório saber e charme inexcedível, mas porque pertencem a empresas patrocinadoras.
Você tem uma empresa e quer pontificar em Davos? Basta procurar o tesoureiro do WEF e verificar o preço de uma cota de patrocínio.
Hoje, 2015, Davos é, sobretudo, uma boca livre. Joaquim Levy provavelmente aproveitará os dois ou três dias lá para relaxar na paisagem deslumbrante de Davos.
É bom que ele relaxe mesmo porque, ao voltar, terá um trabalho duro pela frente.
Quanto a Dilma, fez a opção certa. Em vez de servir de escada para Schwab, foi para um compromisso em que teria a companhia de pessoas de quem gosta – e se livrou dos enfadonhos engravatados do WEC.
O resto, bem, o resto são choramingos de quem não tem a menor ideia do que seja Davos.

Fonte: Agência News

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