quinta-feira, fevereiro 28, 2013


Pena de morte para ateus é legalizada em 7 países

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Além dos países que punem os ateus com a morte, em outras nações os céticos e humanistas são obrigados a mentir para obter seus documentos oficiais, sem os quais é impossível ir para a universidade, receber tratamento médico e viajar para o exterior

Os ateus e outros céticos religiosos sofrem perseguição ou discriminação em muitas partes do mundo e em pelo menos sete países podem ser executados se sua falta da crença se tornar conhecida. A informação é de relatório da IHEU (União Internacional Humanista e Ética) divulgado no último dia 10/12/2012.
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Pena capital para céticos vigora no Afeganistão, Irã, Maldivas, Sudão, Mauritânia, Paquistão e Arábia Saudita.
O relatório mostra que a situação dos “infiéis” é mais grave em países islâmicos, onde religião e Estado se confundem. As consequências para o cético às vezes podem ser brutais.
Ele também aponta que em alguns países europeus e nos Estados Unidos as leis favorecem os religiosos e suas organizações e tratam os ateus e humanistas como cidadãos de segunda classe.
O “A Liberdade de Pensamento 2012″ afirma que “há leis que negam aos ateus o direito de existir, restringindo a sua liberdade de não ter nenhuma crença e de expressão. Também revogam sua cidadania e limitam seu direito de se casar.”
Há leis que “obstruem o acesso dos céticos à educação pública, proíbe que exerçam cargo público, criminalizam a sua crítica à religião e os executam por deixar a religião de seus pais.”
O relatório foi levado ao conhecimento de Heiner Bielefeldt, relator especial das Nações Unidas sobre a liberdade de religião ou crença. Ele disse haver pouca divulgação de que os ateus estão protegidos por acordos globais de direitos humanos.
O IHEU — que congrega mais de 120 entidades humanistas, ateístas e seculares em mais de 40 países — informou que divulgou hoje o relatoria para marcar o Dia da ONU de Direitos Humanos.
De acordo com o relatório, que abrange 60 países, os sete onde ser ateu ou desertar da religião oficial pode trazer a pena capital são o Afeganistão, Irã, Maldivas, Mauritânia, Paquistão, Arábia Saudita e Sudão.
O relatório de 70 páginas não enumera casos recentes de execução por motivo de “ateísmo” porque os pesquisadores dizem que o delito é muitas vezes embutidos em outras acusações.
Em uma série de outros países — como Bangladesh, Egito, Indonésia, Kuwait e Jordânia — a publicação de ideias ateístas ou pontos de vista humanistas sobre religião são totalmente proibidos ou estritamente limitada, de acordo com leis de “blasfêmia”.
Em muitos destes países, e outros como a Malásia, os cidadãos têm de se registrar como seguidores de religiões oficialmente reconhecidas, as quais normalmente incluem não mais do que o islã, cristianismo e judaísmo.
Ateus e humanistas são, assim, obrigados a mentir para obter seus documentos oficiais, sem os quais é impossível ir para a universidade, receber tratamento médico, viajar para o exterior.
Países da Europa, da África subsaariana, da América Latina e da América do Norte, embora tenham governo tido como secular, dão privilégios a igrejas cristãs, como isenção fiscais e tratamento diferenciado em atividades como a educação.
Na Grécia e na Rússia, o governo protege ferozmente da Igreja Ortodoxa, cujos sacerdotes ocupam lugar de destaque em eventos de Estado. Na Grã-Bretanha bispos da Igreja da Inglaterra têm assentos na câmara alta do Parlamento.
Nos Estados Unidos, embora a liberdade de religião e de expressão tenha a proteção da Constituição, “há um clima social e político em que ateus e não-religiosos se sentem como os americanos menores ou não-americanos”, diz o relatório.
Em pelo menos sete Estados, há disposições legais que impedem ateus de assumirem cargos públicos. No Arkansas, uma lei proíbe ateu de depor como testemunha em um julgamento.
Fonte: Huffington Post 

Lula responde ataques de FHC a Dilma: “deveria ficar quieto”

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Lula: ‘FHC deveria no mínimo ficar quieto’. Petista rebate críticas de tucano e diz que ele deveria contribuir para Dilma governar bem

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu nesta semana a declaração de seu antecessor no cargo, Fernando Henrique Cardoso, de que a presidente Dilma Rousseff é “ingrata” ao negar a herança dos governos neoliberais do tucanato brasileiro.
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Ex-presidente Lula esteve no lançamento do livro ‘O Brasil’, do jornalista Mino Carta (Foto: Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press/Folhapress)
Lula afirmou que FHC deveria ficar “quieto” e ajudar a presidente a comandar o país. “Eu acho que Fernando Henrique Cardoso deveria, no mínimo, ficar quieto. Acho que, neste país, cada um fala o que quiser e responde pelo que fala”, disse o ex-presidente.
Questionado sobre o discurso de Dilma na festa dos 10 anos do PT, em São Paulo, em que a presidente afirmou não ter herdado “nada” da gestão tucana, FHC afirmou: “O que é que a gente pode fazer quando a pessoa é ingrata? Nada. Cospe no prato que comeu. Meu Deus”.
A declaração aconteceu durante um evento do PSDB em Minas. O ex-presidente estava acompanhado pelo senador mineiro Aécio Neves – considerado atualmente por parte do tucanato como única alternativa da legenda para enfrentar Dilma na disputa eleitoral de 2014 pela Presidência da República.
Lula, que na semana passada lançou Dilma como candidata do PT à reeleição, disse que Dilma “sabe o que faz”.
“O que ele deveria é contribuir para Dilma continuar a governar o país pais bem. Deixa ela trabalhar. Ela sabe o que faz. Deixa a mulher trabalhar. Porque não é todo dia que o país elege uma mulher presidente”.
Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, fevereiro 27, 2013


Leonardo Boff responde colunista da Veja que chamou Niemeyer de ‘meio idiota’

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Segundo o pensador Leonardo Boff, Veja e seu blogueiro albergado não gostam do Brasil e dos brasileiros; ele diz ainda que Reinaldo Azevedo, que chamou o arquiteto Oscar Niemeyer de “metade gênio e metade idiota”, é um “consumado idiota” e o comparou a um besouro rola-bosta

O pensador Leonardo Boff respondeu, num artigo, às críticas do blogueiro de Veja Reinaldo Azevedo contra Oscar Niemeyer. Para Reinaldo, que publicou três textos sobre o assunto em seu blog, o brilhante arquiteto brasileiro era “metade gênio e metade idiota”.
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Leonardo Boff: “A figura que me ocorre deste articulista e da revista semanal, em versão online, é a do escaravelho, popularmente chamado de rola-bosta”
De acordo com o filósofo, Reinaldo se assemelha a um escaravelho, popularmente chamado de besouro rola-bosta, “que vive dos excrementos de animais herbívoros, fazendo rolinhos deles com os quais, em sua toca, se alimenta”. Boff diz que “algo semelhante fez o blog de Azevedo na VEJA online: foi buscar excrementos de 60 e 70 anos atrás” para atacar o artista brasileiro.
Como muitos leitores do blogueiro diante dos posts sobre Niemeyer, o filósofo assegura: “Quem diz ser Oscar Niemeyer um idiota apenas revela que ele mesmo é um idiota consumado”. Leia abaixo a íntegra de seu artigo:

Oscar Niemeyer, a Veja online e o Escaravelho

Por Leonardo Boff
Com a morte de Oscar Niemeyer aos 104 anos de idade ouviram-se vozes do mundo inteiro cheias de admiração, respeito e reverência face a sua obra genial, absolutamente inovadora e inspiradora de novas formas de leveza, simplicidade e elegância na arquitetura. Oscar Niemeyer foi e é uma pessoa que o Brasil e a humanidade podem se orgulhar.
E o fazemos por duas razões principais: a primeira, porque Oscar humildemente nunca considerou a arquitetura a coisa principal da vida; ela pertence ao campo da fantasia, da invenção e do lúdico. Para ele era um jogo das formas, jogado com a seriedade com que as crianças jogam.
A segunda, para Oscar, o principal era a vida. Ela é apenas um sopro, passageira e contraditória. Feliz para alguns mas para as grandes maiorias cruel e sem piedade. Por isso, a vida impõe uma tarefa que ele assumiu com coragem e com sérios riscos pessoais: a da transformação. E para transformar a vida e torná-la menos perversa, dizia, devemos nos dar as mãos, sermos solidários uns para com os outros, criarmos laços de afeto e de amorosidade entre todos. Numa palavra, nós humanos devemos aprender a nos tratar humanamente, sem considerar as classes, a cor da pele e o nível de sua instrução.
Isso foi que alimentou de sentido e de esperança a vida desse gênio brasileiro. Por aí se entende que escolheu o comunismo como a forma e o caminho para dar corpo a este sonho, pois, o comunismo, em seu ideário generoso, sempre se propôs a transformação social a partir das vítimas e dos mais invisíveis. Oscar Niemeyer foi um fiel militante comunista.
Mas seu comunismo era singular: no meu modo de ver, próximo dos cristãos originários pois era um comunismo ético, humanitário, solidário, doce, jocoso, alegre e leve. Foi fiel a esse sonho a vida inteira, para além de todos os avatares passados pelas várias formas de socialismo e de marxismo.
Na medida em que pudemos observar, a grande maioria da opinião pública mundial, foi unânime na celebração de sua arte e do significado humanista de sua vida. Curiosamente a revista VEJA de domingo, dedica-lhe 10 belas páginas. Outra coisa, porém, é a revista VEJA online de 7 de dezembro com um artigo do blog do jornalista Reinado Azevedo que a revista abriga.
Ele foi a voz destoante e de reles mau gosto. Até agora a VEJA não se distanciou daquele conteúdo, totalmente, contraditório àquele da edição impressa de domingo. Entende-se porque a ideologia de um é a ideologia do outro. Pouco importa que o jornalista Azevedo, de forma confusa, face às críticas vindas de todos os lados, procure se explicar. Ora se identifica com a revista, ora se distancia, mas finalmente seu blog é por ela publicado.
Notoriamente, VEJA se compraz em desfazer as figuras que melhor mostram nossa cultura e que mais penetraram na alma do povo brasileiro. Essa revista parece se envergonhar do Brasil, porque gostaria que ele fosse aquilo que não é e não quer ser: um xerox distorcido da cultura norte-americana. Ela dá a impressão de não amar os brasileiros, ao contrário expõe ao ridículo o que eles são e o que criam. Já o titulo da matéria referente a Oscar Niemeyer da autoria de Azevedo, revela seu caráter viciado e malevolente: “Para instruir a canalha ignorante. O gênio e o idiota em imagens”. Seu texto piora mais ainda quando, se esforça, titubeante, em responder às críticas em seu blog do dia 8/12 também na VEJA online com um título que revela seu caráter despectivo e anti-democrático:”Metade gênio e metade idiota- Niemeyer na capa da VEJA com todas as honras! O que o bloco dos Sujos diz agora?” Sujo é ele que quer contaminar os outros com a própria sujeira de uma matéria tendenciosa e injusta.
O que se quer insinuar com os tipos de formulação usados? Que brasileiro não pode ser gênio; os gênios estão lá fora; se for gênio, porque lá fora assim o reconhecem, é apenas em sua terceira parte e, se melhor analisarmos, apenas numa quarta parte. Vamos e venhamos: Quem diz ser Oscar Niemeyer um idiota apenas revela que ele mesmo é um idiota consumado. Seguramente Azevedo está inscrito no número bem definido por Albert Einstein: “conheço dois infinitos: o infinito do universo e o infinito dos idiotas; do primeiro tenho dúvidas, do segundo certeza”. O articulista nos deu a certeza que ele e a revista que o abriga possuem um lugar de honra no altar da idiotice.
O que não tolera em Oscar Niemeyer que, sendo comunista, se mostra solidário, compassivo com os que sofrem, que celebra a vida, exalta a amizade e glorifica o amor. Tais valores não cabem na ideologia capitalista de mercado, defendida por VEJA e seu albergado, que só sabe de concorrência, de “greed is good” (cobiça é coisa boa), de acumulação à custa da exploração ou da especulação, da falta de solidariedade e de justiça em nível internacional.
Mas não nos causa surpresa; a revista assim fez com Paulo Freire, Cândido Portinari, Lula, Dom Helder Câmara, Chico Buarque, Tom Jobim, João Gilberto, frei Betto, João Pedro Stédile, comigo mesmo e com tantos outros. Ela é um monumento à razão cínica. Segue desavergonhadamente a lógica hegeliana do senhor e do servo; internalizou o senhor que está lá no Norte opulento e o serve como servo submisso, condenado a viver na periferia. Por isso tanto a revista quanto o articulista revelam um completo descompromisso com a verdade daqui, da cultura brasileira.
A figura que me ocorre deste articulista e da revista semanal, em versão online, é a do escaravelho, popularmente chamado de rola-bosta. O escaravelho é um besouro que vive dos excrementos de animais herbívoros, fazendo rolinhos deles com os quais, em sua toca, se alimenta. Pois algo semelhante fez o blog de Azevedo na VEJA online: foi buscar excrementos de 60 e 70 anos atrás, deslocou-os de seu contexto (ela é hábil neste método) e lançou-os contra Oscar Niemeyer. Ela o faz com naturalidade e prazer, pois, é o meio no qual vive e se realimenta continuamente. Nada de surpreendente, portanto.
Paro por aqui. Mas quero apenas registrar minha indignação contra esta revista, em versão online, travestida de escaravelho por ter cometido um crime lesa-fama. Reproduzo igualmente dois testemunhos indignados de duas pessoas respeitáveis: Antonio Veronese, artista plástico vivendo em Paris e João Cândido Portinari, filho do genial pintor Cândido Portinari, cujas telas grandiosas estão na entrada do edifício da ONU em Nova York e cuja imagem foi desfigurada e deturpada, repetidas vezes, pela revista-escaravelho.
Fonte: Pragmatismo político.



Mulher com mais de 60 kg em cada perna volta a andar

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Sophia Loots, de 42 anos, chegou a ter mais de 60 kg em cada perna
Uma mulher sul-africana que chegou a ter mais de 60 kg em cada perna voltou a andar após cinco anos sem sair da cama. A recuperação só veio quando ela superou a vergonha que tinha e procurou um médico. As informações são do jornal inglês Daily Mail.
Sophia Loots tinha vergonha do tamanho de suas pernas porque pensava que elas estavam apenas gordas. Na verdade, a mulher tinha uma doença chamada filaríase, também conhecida como elefantíase, que provoca o inchaço das pernas.
A doença acontece quando um mosquito contaminado pica a pessoa e deposita larvas de vermes na pele. Esses vermes entram no corpo e provocam obstrução nos vasos linfáticos – que transportam um líquido importante para o sistema imunológico. A obstrução provoca uma retenção exagerada dos líquidos, principalmente nas pernas, causando um inchaço como o que Sophia teve.
Como ficou anos na cama, Sophia acabou engordando, de fato. Além de não ter como se exercitar, ela contou que o tédio também fazia com que ela exagerasse na alimentação. “A comida era meu único conforto no fim. No espaço de cinco anos, eu perdi tudo, mal podia me considerar uma mãe”, afirmou ao jornal.
Após procurar apoio dos médicos, Sophia já conseguiu ter retirados os vermes que estavam alojados no corpo e o líquido que causava o inchaço. Ela passou ainda por uma cirurgia para remover o excesso de pele no local. A mulher ainda está com 127 kg, mas pretende seguir uma dieta e voltar a uma vida saudável. “Dar meus primeiros passos em cinco anos foi emocionante”, definiu.

Fonte: G1

“Renúncia de Bento XVI foi gesto de desespero pessoal”

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Renúncia de Bento XVI desmistificou figura do papa, diz Leonardo Boff. Para teólogo, decisão do pontífice alemão foi “gesto de desespero pessoal” diante de problemas enfrentados pela Igreja Católica

O teólogo Leonardo Boff afirmou nesta terça-feira (26/02) que a renúncia de Bento XVI é “o grande legado” de seu pontificado, devido a seu caráter inédito e por ter “desmistificado a figura do papa”.
Em entrevista publicada hoje pelo jornal mexicano Reforma, Boff disse que a renúncia foi “um gesto de desespero pessoal” de Bento XVI, “em conjunto com suas limitações físicas e psicológicas” diante dos problemas enfrentados pela Igreja Católica.
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Entre os problemas que perturbaram o papa alemão, mencionou os impedimentos para que sacerdotes pedófilos fossem entregues à justiça civil, o vazamento de informações e documentos do “Vatileaks” e os escândalos do Banco do Vaticano.
No final, disse, Bento XVI “recebeu um balanço altamente negativo da situação da cúria, pois tinha sido instalado, praticamente, um governo paralelo da Igreja” e “o seu mundo veio abaixo”.
“O papa se deu conta de que já não conseguia dirigir a Igreja. Outro deveria vir para regular a situação. Renunciou com elegância, sem denunciar ninguém e fazendo menção somente às suas limitações de saúde. Mas foi uma advertência fortíssima à cúria vaticana, que deve agora esperar profundas reformas”, apontou.
Para o teólogo, Bento XVI “é um intelectual refinado e um professor, não tem carisma e é extremamente tímido. Sentiu-se o sucessor de Pedro, mas não soube dirigir o governo da Igreja”.
“Eu, que o conheci, sempre imaginei o quanto sofria quando tinha que enfrentar as multidões de fiéis. Sua grande preocupação era a secularização da Europa e o relativismo da modernidade”, comentou.
“Para nós [latino-americanos], que estamos na periferia do mundo e no meio dos pobres, optar pela Europa significa, politicamente, optar pelos ricos”, destacou.
Boff considerou que Bento XVI entrará para a história como “uma pessoa que enquanto era presidente do ex-Santo Ofício condenou mais de 100 teólogos, dos melhores, especialmente da Teologia da Libertação”, uma corrente de pensamento que “nunca entendeu”.
Boff reprovou o fato de Bento XVI aceitar “a versão dos críticos” da Teologia da Libertação, “os militares e as elites opulentas [latino-americanas] que acusavam qualquer tentativa de mudança da realidade social, como livrar os miseráveis de sua pobreza, como coisa de comunistas”.
Nascido em Concordia (1938), Boff é um dos mais destacados representantes da Teologia da Libertação e terminou abandonando a Igreja por suas divergências com o Vaticano.
Hoje considera a Igreja Católica “muito ocidental, patriarcal, machista e antifeminista”, e afirmou que a instituição necessita “dialogar com o mundo” urgentemente.
O ex-frade franciscano chegou a ser castigado com o silêncio pela Congregação da Doutrina da Fé do Vaticano quando esta era comandada pelo então bispo Joseph Ratzinger, atual pontífice que encerrará seu papado na próxima quinta-feira (28/02).
Leonardo Boff diz que renúncia do Papa Bento XVI foi ‘gesto de desespero pessoal’ (Foto: Divulgação)

segunda-feira, fevereiro 25, 2013


Renúncia do Papa: Sexo, dinheiro e poder teriam influenciado decisão

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Entre os malfeitos que influenciaram a renúncia do Papa está a rede de prostituição de jovens seminaristas descoberta em 2010



Oficialmente, o desgaste físico e espiritual pesou sobre os 85 anos de Bento XVI. E um dossiê de quase 300 páginas, dividido em dois volumes encadernados com couro vermelho, sepultou de vez o pontificado dele, sustentou nesta quinta-feira o jornal italiano “La Repubblica”. O documento foi compilado por três cardeais a pedido do próprio Papa, durante nove meses, após o escândalo do roubo de documentos secretos do Pontífice, conhecido como VatiLeaks.
As páginas proporcionaram leitura detalhada de dezenas de capítulos sobre corrupção, promiscuidade, mapeamento de uma rede de prostituição homossexual dentro do Vaticano e desvio de dinheiro. E transformaram-se no argumento definitivo para uma renúncia considerada há tempos pelo Pontífice alemão.
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Sexo, dinheiro e poder podem ter influenciado renúncia do Papa Bento XVI (Foto: Reprodução)
- Este documento será entregue ao próximo Papa, que deverá ser bastante forte, jovem e santo para poder enfrentar o trabalho que o espera – teria reagido Bento XVI, segundo o “La Repubblica”.
As investigações internas acerca do VatiLeaks se estenderam entre abril e dezembro, e o Papa era informado semanalmente do andamento do inquérito. No dia 17 de dezembro, ele recebeu o dossiê completo, de conclusões “devastadoras”, segundo o jornal.
O espanhol Julián Herranz, o italiano Salvatore De Giorgi e o eslovaco Josef Tomko formaram o trio de investigadores eleito por Bento XVI. Todos são cardeais veteranos, velhos conhecedores da Cúria, com mais de 80 anos de idade. Principalmente Tomko: aos 88 anos, foi o diretor do serviço de contraespionagem do Vaticano no papado de João Paulo II.

Rede de lobby gay entre sacerdotes

Entre os malfeitos que mais assombraram o Papa está a rede de prostituição de jovens seminaristas descoberta em 2010. No alvo da investigação, Angelo Balducci, presidente do Conselho Nacional Italiano de Obras Públicas, cujo telefone foi grampeado por suspeita de corrupção.
De acordo com o “La Repubblica”, descobriu-se, então, que frequentemente ele conversava com o nigeriano Chinedu Thiomas Eheim, membro do coro da Reverenda Capela Musical da Sacrossanta Basílica de São Pedro. Ele seria o agenciador de encontros que aconteciam numa casa fora de Roma, numa sauna, em um centro estético e até no próprio Vaticano, além de uma residência universitária na capital italiana onde vivia Marco Simeon, um jovem de 33 anos alçado a diretor da TV Rai Vaticano.
- Só digo que ele tem dois metros de altura, pesa 97 quilos, tem 33 anos e é completamente ativo – disse o nigeriano a Balducci, numa das ligações interceptadas.
O jornal italiano menciona, ainda, a possível existência de um “lobby gay” dentro do Vaticano, “uma rede transversal unida pela orientação sexual”.
Ao revelar ao Papa o caso em 9 de outubro passado, teria sido a primeira vez que a palavra “homossexualidade” fora pronunciada livremente, em voz alta, no apartamento de Bento XVI. Dois dias depois, num discurso a jovens da Ação Católica sobre o Concílio Vaticano II, o Papa fez uma espécie de desabafo. Mencionou que havia a certeza “de que viria uma nova primavera para a Igreja”, mas que, com o tempo, aprende-se “que a fragilidade humana está presente também na Igreja”.
O latim aparece no dossiê para falar de impropriam influentiam, influências impróprias e externas. Um fonte próxima aos três cardeais-investigadores explicou que Bento XVI decidiu renunciar com esse material sobre a mesa.
- Tudo gira em torno do cumprimento do sexto e do sétimo mandamentos – garantiu a fonte, referindo-se a “Não cometerás atos impuros” e “Não furtarás”.
Às vésperas de um conclave atípico e repleto de dúvidas sobre o futuro do Papa demissionário, não faltam interpretações dos últimos discursos de Bento XVI, onde se destacaram menções enigmáticas sobre “divisões que deturpam a face da Igreja” e pedem renovação. Ontem, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, não quis alimentar as polêmicas:
- Não espere comentários, desmentidos ou confirmações do que é dito sobre este tema. A comissão fez seu trabalho e entregou seu relatório nas mãos do Santo Padre como deveria ter feito.
Fonte: Agências Internacionais, com O Globo

sábado, fevereiro 23, 2013


Escritor Luis Fernando Verissimo comenta a ‘existência de Deus’

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Escritor Luis Fernando Verissimo comenta o poder de uma mera suposição, a existência de Deus

O escritor Luis Fernando Verissimo, 76, se mostrou admirado com o poder da uma mera suposição, a da existência de um deus, que tem desafiado até agora todos os parâmetros da razão.
Como exemplo da resistência dessa suposição, ele citou uma “empresa multinacional”— a Igreja Católica — que persiste há mais de 2.000 anos.
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Escritor Luis Fernando Veríssimo comenta o poder de uma suposição: a existência de Deus (Foto: Reprodução)
A hipótese de Deus não tem inspirado as religiões a serem muito religiosas”, disse Verissimo em crônica publicada na semana passada no jornal O Globo.
Em 2012, Verissimo ficou internado 24 dias, metade deles na UTI, com infecção generalizada. Depois, em uma entrevista, o escritor disse que a “morte é uma sacanagem, sou contra”
Segue abaixo a íntegra da crônica onde ele fala sobre as consequências da suposição da existência de um ente divino.

Deus hipotético

Por Luis Fernando Verissimo, em O Globo
Um religioso dirá que não faltam provas da existência de Deus e da sua influência em nossas vidas. Quem não tem a mesma convicção não pode deixar de se admirar com o poder do que é, afinal, apenas uma suposição.
A hipótese de que haja um Deus que criou o mundo e ouve as nossas preces tem sobrevivido a todos os desafios da razão, independentemente de provas.
Agora mesmo assistimos ao espetáculo de uma empresa multinacional às voltas com a sucessão no comando do seu vasto e rico império, e o admirável é que tudo — o império, a riqueza e o fascínio dos rituais e das intrigas da Igreja de Roma — seja baseado, há 2000 anos, em nada mais do que uma suposição.
Todas as religiões monoteístas compartilham da mesma hipótese, só divergindo em detalhes como o nome do seu deus. E todas têm causado o mesmo dano, em nome da hipótese.
Não é preciso nem falar no fundamentalismo islâmico, que aterroriza o próprio islã. Há o fundamentalismo judaico, com sua receita teocrática e intolerante para a sobrevivência de Israel.
O fundamentalismo cristão, que representa o que há de mais retrógrado e assustador no reacionarismo americano, e as religiões neopentecostais que se multiplicam no Brasil, quase todas atuando no limite entre o curandeirismo e a exploração da crendice.
A Igreja Católica pelo menos dá espetáculos mais bonitos, mas luta para escapar do obscurantismo que caracterizou sua história nestes 2000 anos, contra um conservadorismo ainda dominante. A hipótese de Deus não tem inspirado as religiões a serem muito religiosas.
Há aquela parábola do Dostoievski sobre o encontro do Grande Inquisidor com Jesus Cristo, que volta à Terra — o filho da hipótese tornado homem — para salvar a humanidade outra vez, já que da primeira vez não deu certo.
Os dois conversam na cela onde Cristo foi metido por estar perturbando a ordem pública, e o Grande Inquisidor não demora a perceber que a pregação do homem ameaçará, antes de mais nada, a própria Igreja, a religião institucionalizada e os privilégios do poder.
Não me lembro como termina a parábola. Desconfio que, se fosse hoje, deixariam o Cristo trancado na cela e jogariam a chave fora.
Fonte: O GLOBO

Venezuela celebra retorno de Hugo Chávez

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De Caracas a Barinas: chavistas celebram retorno de presidente venezuelano. Simpatizantes de Hugo Chávez relembram tentativas da oposição e da mídia de desestabilizar o governo local

Ainda era madrugada quando Hugo Chávez chegou à Venezuela. Logo após o anúncio do retorno, feito nesta segunda-feira (18/02) pelo próprio presidente por meio de sua conta no Twitter, os primeiros fogos foram escutados pelo país, que acordava surpreso com a notícia. Depois de mais de dois meses de tratamento contra um câncer em Cuba, Chávez estava de volta. As ruas de Caracas se encheram de apoiadores portando bandeiras, cartazes e bonecos do presidente, a exemplo de outras cidades. A reação em Barinas não foi diferente. Foi aqui que nasceu o presidente e onde iniciou sua carreira política.
Marta Lucia Yépez, moradora da comunidade Brisas del Llano, conta que recebeu a notícia nas primeiras horas da manhã. “Não tenho vergonha de dizer que chorei de alegria. Ele não podia nos deixar sozinhos, ainda que a revolução não tenha parado. Ele sempre esteve no comando, mesmo doente e, através dos ministros, deu instruções que depois recebemos na comunidade, para poder continuar trabalhando pela revolução. Isso não se detém e agora que ele está aqui não para mesmo, continuamos em revolução.”
venezuela retorno hugo chávez
População venezuelana foi às ruas celebrar o retorno de Hugo Chávez ao país após meses internado em Cuba (Efe)
Instalando fios para a iluminação pública no bairro de Sabana Grande, o pedreiro Wilmer Ramones conta que sempre pensou que Chávez estava vivo e bem. “Ele acabou com o show que a oposição tinha montado para nos desanimar com falsas notícias. Seu retorno nos enche de força. Todos somos Chávez.”
“Soube às sete da manhã”, fala Osveida Bermúdez. “Minha irmã me ligou de Ciudad Bolívar, que fica a 10 horas de Barinas. Disse-me muito emocionada: ´Como vocês, que estão na terra de Chávez, não sabem que o presidente chegou?´ Quase tenho um infarto de tanta emoção. Nosso presidente, a quem devemos esta casa, tinha voltado. Chávez é como nosso pai, irmão, mais um membro da família e já estávamos com muitas saudades dele.”
Iván Humberto García Yanes, “Balcero” como é chamado na comunidade, trabalha como técnico de computação. “Chegou o castigo para os que tentam acabar com nossa revolução. Havia muita dúvida e manipulação dos meios e da oposição com relação à doença do presidente. Bom, está aqui, agora vamos ver o que eles têm a dizer”, ri.
Fonte: Agencia Nacional

Histórias pouco conhecidas: os evangélicos e a ditadura militar no Brasil

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Os anos de chumbo do protestantismo no Brasil trazem à baila informações arrepiantes
evangélicos ditadura brasil
No primeiro dia foram oito horas de torturas patrocinadas por sete militares. Pau de arara, choque elétrico, cadeira do dragão e insultos, na tentativa de lhe quebrar a resistência física e moral. “Eu tinha muito medo do que ia sentir na pele, mas principalmente de não suportar e falar. Queriam que eu desse o nome de todos os meus amigos, endereços… Eu dizia: ‘Não posso fazer isso.’ Como eu poderia trazê-los para passar pelo que eu estava passando?” Foram mais de 20 dias de torturas a partir de 28 de fevereiro de 1970, nos porões do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo. O estudante de ciências sociais da Universidade de São Paulo (USP) Anivaldo Pereira Padilha, da Igreja Metodista do bairro da Luz, tinha 29 anos quando foi preso pelo temido órgão do Exército. Lá chegou a pensar em suicídio, com medo de trair os companheiros de igreja que comungavam de sua sede por justiça social. Mas o mineiro acredita piamente que conseguiu manter o silêncio, apesar das atrocidades que sofreu no corpo franzino, por causa da fé. A mesma crença que o manteve calado e o conduziu, depois de dez meses preso, para um exílio de 13 anos em países como Uruguai, Suíça e Estados Unidos levou vários evangélicos a colaborar com a máquina repressora da ditadura. Delatando irmãos de igreja, promovendo eventos em favor dos militares e até torturando. Os primeiros eram ecumênicos e promoviam ações sociais e os segundos eram herméticos e lutavam contra a ameaça comunista. Padilha foi um entre muitos que tombaram pelas mãos de religiosos protestantes.
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O metodista só descobriu quem foram seus delatores há cinco anos, quando teve acesso a documentos do antigo Sistema Nacional de Informações: os irmãos José Sucasas Jr. e Isaías Fernandes Sucasas, pastor e bispo da Igreja Metodista, já falecidos, aos quais era subordinado em São Paulo. “Eu acreditava ser impossível que alguém que se dedica a ser padre ou pastor, cuja função é proteger suas ovelhas, pudesse dedurar alguém”, diz Padilha, que não chegou a se surpreender com a descoberta. “Seis meses antes de ser preso, achei na mesa do pastor José Sucasas uma carteirinha de informante do Dops”, afirma o altivo senhor de 71 anos, quatro filhos, entre eles Alexandre, atual ministro da Saúde da Presidência de Dilma Rousseff, que ele só conheceu aos 8 anos de idade. Padilha teve de deixar o País quando sua então mulher estava grávida do ministro. Grande parte dessa história será revolvida a partir da terça-feira 14, quando, na Procuradoria Regional da República, em São Paulo, acontecerá a repatriação das cópias do material do projeto Brasil: Nunca Mais.
Fonte: Agencia Nacional

Porões da ditadura: Sítio da tortura esconde cenário horripilante

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Na zona sul de São Paulo um sítio isolado guarda, esquecido, histórias de terror que podem ser a chave para entender um dos pontos mais obscuros da ditadura – os centros clandestinos de tortura. E a assombrosa colaboração civil

sítio tortura“Você está em poder do braço clandestino da repressão. Ninguém pode te tirar daqui”, é o que você ouve quando chega no sítio, depois de mais de uma hora metido no banco de trás dofusquinha com um capuz quente na cabeça, e a cabeça entre as pernas.
Você foi apanhado na Avenida Brigadeiro Luis Antônio, uma das mais movimentadas de São Paulo. Te enfiaram dentro do carro, dois homens grandes, meteram o capuz. Então você é todo ouvidos e corpo, e cada balanço ou ruído vai se gravando na sua mente tão vivo que você se lembrará deles para o resto da vida.
Minutos depois, pegam a estrada. Tráfego intenso. Saem da cidade, estradinha de terra, passa um trem, devagar. Quando o carro finalmente estaciona, você ouve a frase de boas-vindas e, apavorado, consegue memorizar o chão de cimento, por onde é empurrado antes de ser arremessado por escada que leva a um lugar subterrâneo. Os seus algozes chamam aquilo de “buraco”, com razão. Não tijolos, nem paredes, o calor é forteç cada vez que você apalpa à volta, caem blocos de terra molhada. O chão é lodoso. Seu cativeiro é úmido e infinito.
Quando te tiram a roupa – você vai ficar assim por muito tempo. Primeiro: o pau-de-arara. Trata-se de um invento simples, bem brasileiro. Uma barra de ferro apoiada sobre cavaletes, onde te penduram enrolado, pesando sobre os braços e pernas. Eles te batem, te chutam, dão choque elétricos; nada de maquininha de Tio Sam, são fios desencapados que chegam diretamente no sovaco, na barriga, na boca.
Se divertem com isso, assim como se divertiram desde sempre aqueles que têm o poder de torturar. Quando você fraqueja, te levam a outra sala – piso de taco – onde perguntam tudo o que sabe, que atordoado você tenta esconder. Eles não vão te deixar em paz.
Você se pergunta: por que está ali? É 1975. Já se passaram dez anos desde o golpe militar no Brasil. O novo governo dos milicos (general Ernesto Geisel) prometia uma volta pacífica à democracia, com um governo civil.
Depois de prender centenas de opositores, mandar milhares para o exílio e exterminar os grupos de resistência armada, a ditadura começava a querer ser vista como “ditabranda”. É claro que você não acreditava, mas estava em todos os jornais. De qualquer forma, você era conhecido publicamente, não devia temer. Jamais se envolveu na luta armada; advogado, comunista do Partidão (PCB), foi vereador e deputado federal, você sempre acreditou na política. Pela sua atuação, já havia sido preso. Mas torturado, jamais. Até o dia 1 de outubro de 1975.
sítio torturaVocê já tinha ouvido falar nesse tipo de lugar. O chachoalhar do carro rumo à zona rural só confirmou que você iria sofrer mais – que iria morrer. Não estavam te levando para uma delegacia, onde bem ou mal alguém poderia te ver e lembrar de você. Estava caindo nosbraços clandestinos do horrendo regime militar.
Existiam dezenas de lugares como esse. Eram os centros clandestinos de tortura. Ao mesmo tempo em que o governo militar começava a falar em abertura, os milicos e policiais civis usaram esses lugares para seguir com seu velho método de fazer as coisas. Em meados da década de 70, o governo falava em acabar com as torturas, e os “teatrinhos” foram banidos: aquelas cenas de falso tiroteio armadas para encobrir a morte de gente que fora na verdade morta sob tortura (era assim que os policias chamavam a encenação descarada).

Nos centros clandestinos, torturava-se em segredo, e não raro se sumia com os corpos. Muitos dos desaparecidos da ditadura brasileira passaram por eles.

Ali, fora do aparato oficial, podia-se massacrar ao ar livre. No seu caso, a tortura usava o que o sítio tinha a oferecer: as árvores, o açude, os dois lagos.
Segundo: a sufocação. Eles te levam para um córrego raso, com pedras no fundo. Ali, soltam água de uma espécie de reservatório e você é jogado para baixo, ralando nas pedras as feridas do corpo. Terceiro: a “piscina”, como eles chamam, na verdade um poço lamacento onde te afogam segurando sua cabeça. Quarto: a árvore. Pendurado pelos pés, você recebe socos, choque elétricos. Um químico é jogado sobre seu corpo, arde. Seus gritos se misturam ao de outras pessoas, que você ouve estarem sendo torturadas – homens, mulheres.
Um dia, te tiram dali, apressadamente. Dizem que seu sumiço foi denunciado no congresso nacional e na assembléia do Rio de Janeiro. Vão ter que te liberar. Seu martírio acaba numa casa, na periferia de uma cidade. Um médico o visita diariamente, para assegurar que você estará “apresentável” quando for solto. No dia 22 de outubro de 1975, finalmente você tira o capuz.
O seu nome é Affonso Celso Nogueira Monteiro. Em 2011, aos 89 anos, os olhos ainda ficarão opacos quando lembrar daqueles dias e o seu corpo, envelhecido, guardará ainda todas as marcas. Você é o único prisioneiro que saiu com vida da Fazenda 31 de Março – nome do sítio clandestino de tortura, uma homenagem à data do golpe militar de 1964.
Quarenta anos depois, a fazenda continuará lá, com a mesma cara, esquecida pelo tempo, escondida numa estrada de terra no bairro de Parelheiros, na zona sul de São Paulo, bem na divisa com Itanhaém e Embu-Guaçu.
Muitos não tiveram a mesma sorte. Antônio Bicalho Lana e sua companheira Sônia Moraes, ambos da guerrilha Ação Libertadora Nacional (ALN), foram assassinados no sítio em 1973. Depois, foram levados até o bairro de Santo Amaro, onde se encenou um tiroteio – mais um dos “teatrinhos”. Foram enterrados em vala comum. Ali também mataram o líder estudantil Antonio Benetazzo, em 1972, preso na Vila Carrão, norte de São Paulo. A versão oficial, veja, é depois de preso ele teria se jogado sob as rodas de um caminhão. Foi enterrado como indigente.

Fagundes, o “pacificador”

sítio torturaO sítio 31 de março é a prova de que existia uma rede de locais clandestinos de tortura no Brasil nos anos 70. Mas, como grande parte da história da ditadura militar brasileira, jamais se investigou como e quando foram usados.
No Brasil, diferente de países vizinhos como Chile e Argentina, jamais um único militar foi punido pela tortura sistemática adotada pela ditadura. Naqueles países, lugares como esse viraram museus, memoriais às vítimas, marcos históricos para que o passado não volte.
Os sítios da tortura só eram possíveis por causa do apoio de civis, gente endinheirada que apoiava a ditadura e emprestava seu imóveis para a repressão. Nenhum deles jamais foi levado à justiça.
“dono” do sítio 31 de Março era um empresário mineiro, Joaquim Rodrigues Fagundes. Acusado de grileiro, ele se apossou da terra nos primeiros anos da década de 70. Chegou tocando o terror: junto com capangas, exibiam armas de uso exclusivo das Forças Armadas, invadiam a casa de moradores, chegaram a surrar um deles para que “desse o fora”, como se dizia na época.
Fagundes se gabava de ser amigo do “pessoal do Doi-Codi”, a central militar que comandava a repressão. Seu caseiro na época, Alcides de Souza, reconheceu que ele emprestava o sítio para os milicos fazerem treinamento. “Tem vez que chegam aqui dois mil homens – acampam, correm pra cá, pra lá, dão tiros, cortam a mata”, disse.
Fagundes era dono da Transportes Rimet Ltd, na Moóca. Sua empresa não fazia muita coisa. Tinha um único cliente, a estatal Telesp – Telecomunicações de São Paulo, que na época controlada pelos militares do governo paulista. Ali na Moóca, era sempre visto acompanhado pelos bravos amigos de farda, como o coronel Erasmo Dias, conhecido por tere invadido a universidade católica (PUC) e metido ferro nos estudantes. Ele mesmo ia uma vez por semana até a sede do Doi-Codi, na rua Tutóia. “Ele tinha autoridade, andava com os milicos”, lembram os vizinhos.
sítio torturaQuando não tinha ninguém gemendo ou sufocando, a turminha de Fagundes usava o sítio para churrascos e almoços festivos. Vinham nomes como mesmo Erasmo Dias, bem como oCoronel Brilhante Ustra, cujo comando do Doi-Codi foi marcado por mais de 500 denúncias de tortura, e o delegado da policia civil Sérgio Paranhos Fleury, que comandava esquadrões das morte antes da diutadura, e o massacre dos opositores depois. Só a nata da repressão. “O Fleury era amigão da gente” lembra Alcides, o caseiro.
A ajuda de Fagundes foi reconhecida. Em 30 de junho de 1977, recebeu a Ordem do Mérito do Pacificador, por “serviços prestado ao país”. O mineiro tinha tanto orgulho da sua ligação com o exército que, logo abaixo da placa com o nome da fazenda 31 de Março colocou outra, dizendo: “proprietário: pacificador Fagundes”.
Jamais foi militar, jamais teve um cargo oficial. E jamais foi chamado a prestar contas pela sua atuação.
Pelo contrário. Em 1984, recebeu uma comenda do Exército, tornando-se, oficialmente, “comendador”, título que consta ainda hoje na sua lápide no Cemitério da Quarta Parada, zona leste de São Paulo. O país agradece.
Fonte: Agência Pública


Os segredos da ditadura escondidos numa casa de canavial

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Casa escondia segredos da ditadura militar no Brasil. A descoberta demonstra, sobretudo, que agentes da ditadura guardaram ou ainda guardam ou eliminaram documentos importantes dos Anos de Chumbo

Uma casa abandonada no meio do canavial de uma fazenda em Jaborandi (SP), região de Ribeirão Preto, tida como mal assombrada por cortadores de cana, acabou por revelar de fato muitos fantasmas do passado. Em 2007, foram encontrados dentro da casa documentos pertencentes ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Entre eles, 110 fichas de perseguidos políticos e um Manual de Subversão e Contra-subversão. A história ganhará livro e documentário do projeto Memórias da Resistência.
casa ditadura militar canavial
Casa encontrada por cortador de cana guardava documentos da ditadura/fotos: projeto Memórias da Resistência/divulgação
Cinco anos depois da descoberta, feita por um cortador de cana e estudante de história, de documentos da ditadura militar, o material vai ganhando identidades e recompondo a história no projeto Memórias da Resistência que, depois de colocar na internet um site, chega também às livrarias e, até o início do ano que vem, um documentário. O projeto é empreendido por um grupo de pesquisadores do Instituto Práxis de Educação e Cultura (IPRA), de Franca, através de edital Ponto de Mídias Livres, do Ministério da Cultura.
A fazenda pertencia ao ex-delegado Tácito Pinheiro Machado, citado pelo Brasil Nunca Mais como repressor, e que além de atuar em delegacias no interior paulista, dirigiu o Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e foi chefe de gabinete da Secretaria de Segurança Pública. Machado morreu em 2005, aos 79 anos, e apesar de seu pedido para queimar as fichas de perseguidos políticos, envelopes de correspondências restritas, bilhetes e anotações e até um manual de ação contra ‘subversivos’, o material ficou largado na casa.
Fonte: Pragmatismo Político

Torturado quando bebê, morre vítima mais jovem da ditadura no Brasil

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Carlos Alexandre Azevedo pôs fim a sua vida no sábado (16), aos 40 anos. Ele foi a vítima mais jovem a ser submetida à violência por parte dos agentes da ditadura militar. Tinha apenas um ano e oito meses quando foi arrancado de sua casa e torturado na sede do Dops paulista.

O técnico de computadores Carlos Alexandre Azevedo morreu no sábado (16/2), após ingerir uma quantidade excessiva de medicamentos. Ele sofria de depressão e apresentava quadro crônico de fobia social. Era filho do jornalista e doutor em Ciências Políticas Dermi Azevedo, que foi, entre outras atividades, repórter da Folha de S. Paulo.
Ao 40 anos, Carlos Azevedo pôs fim a uma vida atormentada, dois meses após seu pai ter publicado um livro de memórias no qual relata sua participação na resistência contra a ditadura militar. ‘Travessias torturadas’ é o título do livro, e bem poderia ser também o título de um desses obituários em estilo literário que a Folha de S.Paulo costuma publicar.
carlos alexandre azevedo torturado
Carlos Alexandre Azevedo foi torturado quando era bebê (Foto: Júlia Moraes / Istoé , 2010)
Carlos Alexandre Azevedo foi provavelmente a vítima mais jovem a ser submetida a violência por parte dos agentes da ditadura. Ele tinha apenas um ano e oito meses quando foi arrancado de sua casa e torturado na sede do Dops paulista. Foi submetido a choques elétricos e outros sofrimentos. Seus pais, Dermi e a pedagoga Darcy Andozia Azevedo, eram acusados de dar guarida a militantes de esquerda, principalmente aos integrantes da ala progressista da igreja católica.
Dermi já estava preso na madrugada do dia 14 de janeiro de 1974, quando a equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury chegou à casa onde Darcy estava abrigada, em São Bernardo do Campo, levando o bebê, que havia sido retirado da residência da família. Ela havia saído em busca de ajuda para libertar o marido. Os policiais derrubaram a porta e um deles, irritado com o choro do menino, que ainda não havia sido alimentado, atirou-o ao chão, provocando ferimentos em sua cabeça.
Com a prisão de Darcy, também o bebê foi levado ao Dops, onde chegou a ser torturado com pancadas e choques elétricos.
Depois de ganhar a liberdade, a família mudou várias vezes de cidade, em busca de um recomeço. Dermi e Darcy conseguiram retomar a vida e tiveram outros três filhos, mas Carlos Alexandre nunca se recuperou. Aos 37 anos, teve reconhecida sua condição de vítima da ditadura e recebeu uma indenização, mas nunca pôde trabalhar regularmente.
Aprendeu a lidar com computadores, mas vivia atormentado pelo trauma. Ainda menino, segundo relato da família, sofria alucinações nas quais ouvia o som dos trens que trafegavam na linha ferroviária atrás da sede do Dops.

Para não esquecer

O jornalista Dermi Azevedo poderia ser lembrado pelas redações dos jornais no meio das especulações sobre a renúncia do papa Bento 16. Ele é especialista em Relações Internacionais, autor de um estudo sobre a política externa do Vaticano, e doutor em Ciência Política com uma tese sobre igreja e democracia.
Fonte: Portal Detonando

Avaaz exclui petição de apoio a Malafaia: “lobby homofóbico”

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Avaaz exclui petição de apoio a Malafaia: “lobby homofóbico”


Pastor Silas Malafaia reage à exclusão de petição e manda recado para diretor do Avaaz no Brasil: “vou lascar esse cara”

O site Avaaz excluiu a petição de apoio à manutenção do registro de psicólogo do pastor Silas Malafaia porque feria seus princípios, já que se tratava de “lobby para práticas homofóbicas”.
malafaia homofobia avaaz petição
Silas Malafaia afirma que “vai lascar” diretor do Avaaz no Brasil (Foto: Reprodução)
A informação é de Pedro Abramovay, diretor de campanhas no Brasil do site. “Ele [Malafaia] pode abrir essa petição onde quiser, mas não no Avaaz”, disse Abramovay à Folha de S.Paulo.
Malafaia confirmou que vai processar o site e Abramovay por “assédio moral”. “[Abramovay] terá de provar que sou homofóbico”, disse o pastor. “Vou lascar esse cara.”
Ele afirmou que, como psicólogo, nunca atendeu a homossexuais, mas, como pastor, “a fila (de gays) é grande”.
A petição foi criada pelo evangélico Ricardo Rocha, do Rio Grande do Sul, em contraposição a outra pela cassação do registro de psicólogo de Malafaia sob o argumento de que ele é homofóbico.
O que deixou o pastor mais enfurecido foi a exclusão ter ocorrido quando a petição em seu apoio ter obtido 65.000 adesões, superando a outra em 10.000 subscrições.
Fonte:Pragmatismo político

terça-feira, fevereiro 19, 2013


Batistão e o presente de grego para o DEM

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O prefeito de Mandaguari-Pr, Romualdo Batista em seu primeiro ano de mandato e nos primórdios,  está tendo trabalho  no que diz respeito a definição de sua equipe .  Já  no limiar do terceiro mês da administração  somente agora é que se define algumas funções como secretaria de obras, que é uma das mais importantes . Pelo visto   no seu estilo mineiro de administrar Batistão está mesmo é pegando a brasa com a mão do gato. 
Com o remanejamento do competente professor Cássio-DEM da diretoria do meio ambiente para a Secretaria de Obras, nomeação que se deu nesta segunda (18),  Batistão de forma sutíl transfere para sua base aliada, DEM de Charles Móia e Marquinhos, Noel Pires Viana, de Romualdo Pereira Velasco, do Veradores Nilton Botti e Valdecir e tantos outros, uma pasta já anunciada  totalmente sucateada, cujo desempenho poderá redundar em saldo negativo para a rapaziada do Partido Democratas. 
Vamos ver para quem  será o outro Cavalo de Tróia... 

segunda-feira, fevereiro 18, 2013


Nomes de artistas que colaboraram com a ditadura são revelados em documento

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Documentos da ditadura revelam nomes de colaboradores do regime no meio artístico. São citados Roberto Carlos, Agnaldo Timóteo, entre outros

roberto carlos ditadura militar
A relação do hoje ‘rei’ Roberto Carlos com generais foi sempre amistosa
MINISTÉRIO DO EXÉRCITO
GABINETE DO MINISTRO
CIE/GB
ENCAMINHAMENTO 71/s-103.2.cie
FUNDO “DIVISÃO DE CENSURA DE DIVERSÕES PÚBLICAS”, ARQUIVO NACIONAL,
COORDENAÇÃO REGIONAL DO ARQUIVO NACIONAL NO DISTRITO FEDERAL, SÉRIE
“CORRESPONDÊNCIA OFICIAL”, SUBSÉRIE “INFORMAÇÕES SIGILOSAS”, CAIXA ÚNICA
Acervo Arquivo Nacional – COREG
Durante a ditadura militar no Brasil, alguns artistas viraram colaboradores do regime – seja por simpatizarem com os governos militares ou por pura covardia – passando informações sobre o que acontecia no meio artístico e participando de atos realizados nos quarteis.

No documento em anexo produzido pelo Centro de Informações do Exército (CIE), classificado como informe interno e confidencial, o CIE reclama que alguns veículos intitulados pelos militares de “imprensa marrom” (tal qual O Pasquim) estariam fazendo campanhas contra alguns artistas amigos e colaboradores da ditadura.

O informe difundido para outros órgãos da repressão política sugere que esses artistas “amigos da ditadura” sejam blindados, protegidos.
(Vídeo) Roberto Carlos mostra sua consideração ao ditador chileno Augusto Pinochet

No documento emitido pelo Centro de Informações do Exército são revelados alguns desses “colaboradores”,considerados pelos militares como amigos, aliados do regime. Segundo o documento, certos órgãos de imprensa estariam publicando matérias denegrindo a imagem de determinados artistas que se “uniram à revolução (sic) de 1964 no combate à subversão e outros que estiveram sempre dispostos a uma efetiva colaboração com o governo”.
São citados Wilson Simonal, Roberto Carlos, Agnaldo Timóteo, Clara Nunes, Wanderley Cardoso e Rosemary.

Fonte:Pragmatismo Político


Marina Silva estará em programa de TV nesta segunda-feira

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Marina Silva participará do ‘Roda Viva’, ao vivo
Nesta segunda-feira (18), o ‘Roda Viva’ entrevista, ao vivo, a ex-senadora Marina Silva. Entre os assunto, ela deve falar sobre seu novo partido, projetos políticos, Mensalão, Lula, Dilma e Renan Calheiros. O programa da TV Cultura vai ao ar às 22h.
Apresentado pelo jornalista Mario Sergio Conti, o programa conta com uma bancada de entrevistadores e também com a participação do cartunista Paulo Caruso.
Novo partido
A ex-senadora Marina Silva fala no lançamento de seu novo partido
Se conseguir as assinaturas e o registro necessários, o 31º partido político brasileiro se chamará Rede Sustentabilidade – ou apenas Rede. A legenda foi lançada no último sábado (16), em Brasília, pela ex-senadora Marina Silva, em evento que durou todo o dia e reuniu apoiadores e simpatizantes. “O nome que vamos registrar é Rede porque vamos ser uma rede que dialoga com diferentes setores da sociedade”, disse ela.
O principal eixo do partido será a sustentabilidade. Além disso, a legenda também se comprometerá em realizar a reforma política brasileira e defender os direitos humanos.
Entre os principais pontos do estatuto do novo partido, que foram divulgados nesta segunda-feira (18), estão o limite para doação de pessoas físicas e jurídicas que quiserem contribuir com a legenda; a proibição de doações feitas por empresas de tabaco, álcool, agrotóxicos e armas; realização periódica de plebiscitos internos; transparência dos gastos de campanha eleitoral por meio de prestação de contas na internet; cotas para negros e índios, entre outros.
Outra determinação é que um candidato poderá se lançar apenas uma vez à reeleição, o que não exclui a própria Marina de disputar a Presidência da República em 2014. Ela admitiu que há possibilidade, mas garantiu que o objetivo do Rede não é apenas ganhar as eleições, porque Marina Silva foi eleita duas vezes seguidas para mandato como senadora pelo Acre (em 1994 e 2002).
Para a criação da legenda, são necessárias cerca de 500 mil assinaturas.
Convidado por Marina para integrar o Rede Sustentabilidade, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) se negou a deixar o Partido dos Trabalhadores, mas deu uma palestra no evento de lançamento da legenda. Mais cedo neste sábado, a ex-senadora afirmou que não fará oposição nem apoiará o governo de Dilma Rousseff. “Faremos alianças pontuais”, declarou.

Fonte: TV Cultura e JB

Padre humilha mulher lésbica ao negá-la comunhão no funeral de sua própria mãe

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Com profunda tristeza e luto, Barbara Johnson estava no primeiro lugar da fila para a comunhão no funeral de sua mãe. Mas o padre à sua frente imediatamente deixou claro que ela não iria receber o pão e o vinho sacramentais.

Padre Lésbica Barbara JohnsonJohnson, dona de um estúdio de arte, havia chegado à Igreja de São John Neumann, em Gaithersburg, com a sua parceira lésbica. O padre Marcel Guarnizo ficara sabendo de seu relacionamento pouco antes da celebração.
“Ele colocou a mão sobre o corpo de Cristo e olhou para mim e disse: ‘Eu não posso lhe dar a Comunhão, porque você vive com uma mulher, e, aos olhos da Igreja, isso é pecado”, disse ela.
Ela reagiu com um silêncio atordoado. Sua raiva e indignação, agora, levaram a ela e aos membros de sua família a exigir que Guarnizo seja removido do seu ministério.
Seus familiares disseram que o padre deixou o altar enquanto Johnson, de 51 anos, estava proferindo um elogio fúnebre e não compareceu ao enterro nem encontrou outro padre para estar lá.
“Você trouxe a sua política, e não o seu Deus, para aquela Igreja ontem, e você vai pagar caro no dia do juízo por me julgar”, escreveu ela em uma carta a Guarnizo. “Vou rezar pela sua alma, mas primeiro vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ver você removido da vida paroquial, para que assim você não tenha a permissão de ferir ainda mais famílias”.
Na noite de terça-feira, Johnson recebeu uma carta de desculpas do padre Barry Knestout, um dos mais altos administradores da arquidiocese, que disse que a falta de “bondade” que ela e sua família receberam “é causa de grande preocupação e de arrependimento pessoal para mim”.
“Lamento que o que deveria ter sido uma celebração da vida de sua mãe, à luz da fé dela em Jesus Cristo, foi ofuscada por uma falta de sensibilidade pastoral”, escreveu Knestout. “Espero que a cura e a reconciliação com a Igreja possam ser possíveis para você e para outras pessoas que foram afetadas por essa experiência. Enquanto isso, vou oferecer a missa pelo feliz repousou da alma de sua mãe. Que Deus traga conforto a você e à sua família em seu luto e esperança na ressurreição”.
Johnson chamou a carta de “reconfortante” e disse que aprecia muito o pedido de desculpas. Mas, acrescentou, “eu não ficarei satisfeita” enquanto Guarnizo não for removido.
A ação do padre também provocou um tumulto entre os ativistas pelos direitos dos gays e animou alguns conservadores religiosos. Ela ocorreu poucos dias depois que a Câmara dos Deputados do Estado de Marylandaprovou uma lei que legaliza o casamento homossexual no Estado. O governador Martin O’Malley (democrata) deve assiná-la ainda esta semana.
“O padre Marcel Guarnizo foi jogado embaixo do ônibus por seguir o cânone 915!”, escreveu um blogueiro católico da arquidiocese. “A questão aqui não é o padre, mas sim Barbara Johnson”. [Esse cânone diz: "Não sejam admitidos à sagrada comunhão os excomungados e os interditos, depois da aplicação ou declaração da pena, e outros que obstinadamente perseverem em pecado grave manifesto".]
As autoridades da arquidiocese, no início, emitiram uma breve declaração dizendo que as ações do sacerdote eram contra as “políticas” da Igreja e que eles iriam olhar para o caso como um assunto pessoal.
“Quando surgem dúvidas sobre se um indivíduo deve ou não se apresentar à comunhão, não cabe às políticas da arquidiocese de Washington repreender publicamente essa pessoa”, disse o comunicado. “Qualquer questão relativa à adequação de um indivíduo para receber a comunhão deve ser abordada pelo padre com essa pessoa em um ambiente privado e pastoral”.
Mensagens enviadas para Guarnizo e outros membros da paróquia não foram respondidas. Nem ele nem outras lideranças paroquiais estavam na igreja ou na secretaria paroquial na noite da última terça-feira.
Católicos ativos na região metropolitana de Washington disseram que não conseguiam se lembrar de outra ocasião recente em que um padre se recusou a administrar o sacramento a um católico gay. A recusa de Guarnizo, disseram,parece estar em desacordo com a firme posição contra a negação da comunhão aos católicos enunciada pelo arcebispo de Washington, o cardeal Donald Wuerl.
Wuerl disse não acreditar na negação da comunhão, porque é impossível saber o que está no coração da outra pessoa. A questão surgiu durante a campanha presidencial de 2004, quando alguns líderes católicos conservadores disseram que o senador John F. Kerry, de Massachusetts, candidato democrata, deveria ter a comunhão negada por causa de seus pontos de vista pro-choice [em defesa do direito a abortar ou não].
Johnson disse que sua parceira de 20 anos estava ajudando a família na igreja antes do caso, quando o padre lhe perguntou quem ela era. “E ela disse: ‘Eu sou a parceira dela’”, lembrou Johnson.
Quando Guarnizo cobriu o vinho e as hóstias com a mão durante a comunhão, Johnson ficou ali por um momento, pensando que ele iria mudar de ideia, contou. “Eu só fiquei ali, em estado de choque. Eu estava de luto, chorando”, disse ela. “O corpo da minha mãe estava atrás de mim, e tudo que eu queria fazer era ficar junto dela, e a última coisa era fazer um funeral bonito, e aqui estava eu a decepcionando porque havia uma cena…”.
A mãe de Johnson e seu falecido pai foram fiéis praticante por toda a vida, que sofreram para mandar seus quatro filhos para escolas católicas, disse Barbara e seu irmão, Larry Johnson, um contador forense que vive em Loudoun County. Barbara vive no noroeste de Washington e, durante anos, lecionou arte na Elizabeth Seton High School, em Bladensburg, seu ex-colégio.
Apesar de sua indignação, a família Johnson disse que não vê o incidente como razão para criticar a Igreja de forma mais ampla. “Concordamos que essa não é uma discussão sobre os direitos dos gays ou sobre os ensinamentos da Igreja Católica”, disse Larry Johnson.
Mas, desde sábado, outros católicos disseram a eles que a experiência abalou a sua fé. “Há sérios questionamentos sobre como os católicos norte-americanos em particular praticam a sua fé. Quantas pessoas divorciadas vivem em um estado técnico de pecado? Quantas pessoas praticam alguma forma de controle de natalidade artificial em estado de pecado?”, questionou ele. “Se a Igreja agora aplicar essa polícia do ‘estado de graça’, como vai ser? Essa [a homossexualidade] é a coisa mais pessoal do mundo – entre a pessoa e Deus”.

Fonte: Pragmatismo Político

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